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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está finalizando uma nova declaração de emergência com o objetivo de respaldar juridicamente a tarifa de 50% imposta sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor em 1º de agosto. A informação foi revelada pela correspondente da TV Globo em Washington, Raquel Krähenbühl, e confirmada pela agência Bloomberg.
Segundo apuração da Bloomberg News, a Casa Branca e o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) estudam uma justificativa formal, já que o Brasil apresenta déficit comercial com os EUA desde 2009 — ao contrário dos demais países atingidos pelas tarifas, que mantêm superávits. A medida, ainda em formulação, representaria uma exceção nos critérios de retaliação comercial adotados até aqui.
Nos bastidores, o governo Trump tem intensificado o tom político contra o Brasil. O USTR foi instruído a abrir uma investigação com base na Seção 301, alegando “práticas desleais” por parte do país — incluindo ataques a empresas americanas e plataformas de mídia social. Entretanto, até o momento, não há evidências públicas que sustentem essas acusações.
O endurecimento da postura americana ocorre em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF (Supremo Tribunal Federal). Réu por tentativa de golpe de Estado, Bolsonaro passou a usar tornozeleira eletrônica e foi proibido de acessar redes sociais por decisão do ministro Alexandre de Moraes.
Trump, aliado de longa data do ex-presidente brasileiro, já classificou o processo como “caça às bruxas” e deixou claro que a tarifa seria uma forma de apoio político. O governo Lula, por sua vez, tem reforçado a independência do Judiciário e a soberania nacional.
Governo Trump se recusa a negociar tarifas
Apesar de tentativas diplomáticas, interlocutores brasileiros em Nova York relatam que a equipe de Trump tem se recusado a abrir canais formais de negociação. O próprio presidente Lula chegou a afirmar que Trump “não quer conversa”.
Nesta sexta-feira (25), uma comissão de senadores embarcou para Washington para tentar reverter o impasse, mas a missão é vista com ceticismo e até sabotada por aliados de Bolsonaro, como o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o influenciador Paulo Figueiredo.
A ofensiva de Trump tem provocado reações dentro dos EUA. Senadores democratas enviaram uma carta acusando o presidente republicano de “abuso de poder” e de usar a economia americana para interferir politicamente em outro país. “A ameaça de guerra comercial com o Brasil cria um precedente perigoso”, alertaram.
Segundo relato do presidente do TCU (Tribunal de Contas da União), Vital do Rêgo, que está em missão oficial na ONU (Organização das Nações Unidas), há um clima de apreensão em Washington.
“Está tudo centralizado em Trump. Ninguém tem coragem de contradizê-lo”, teria dito o ministro a interlocutores.
Fonte: ICL Notícias




