Urgência no atendimento a mulheres vítimas de violência reforça papel da Defensoria Pública

Especialista alerta que assistência deve ser imediata e contínua, independentemente do momento em que a vítima busca ajuda

A violência contra a mulher continua sendo um dos principais desafios sociais no Brasil, e o acesso rápido à rede de proteção pode ser decisivo para salvar vidas. Em entrevista ao Correio Braziliense, a vice-presidente da Associação Nacional das Defensoras e Defensores Públicos (Anadep), Kelviane Barros, destacou que “a urgência não escolhe momento”, ao defender atendimento imediato às vítimas.

Segundo a defensora pública, o fortalecimento da Defensoria e a ampliação da assistência jurídica são fundamentais para garantir proteção efetiva às mulheres em situação de violência. Ela reforça que muitas vítimas procuram ajuda em momentos críticos, o que exige preparo e atuação contínua das instituições.

A declaração ocorre em meio ao mês dedicado às mulheres, período em que o debate sobre políticas públicas de proteção ganha ainda mais visibilidade. A Defensoria Pública atua no acolhimento, orientação jurídica e encaminhamento de vítimas, especialmente em casos de violência doméstica e feminicídio.

Rede de proteção ainda enfrenta desafios

Apesar dos avanços, especialistas apontam que a estrutura de atendimento ainda precisa ser ampliada e integrada. No Brasil, a rede de proteção envolve diversos órgãos, como delegacias especializadas, Defensoria Pública, Ministério Público e serviços de assistência social e saúde, com o objetivo de oferecer suporte completo às vítimas.

Espaços como a Casa da Mulher Brasileira reúnem esses serviços em um único local, buscando agilizar o atendimento e garantir acolhimento humanizado.

Ainda assim, dificuldades persistem, como a falta de acesso rápido a serviços especializados e a subnotificação de casos, o que pode impedir que mulheres recebam ajuda a tempo.

Atendimento imediato pode salvar vidas

A urgência no atendimento é reforçada também por legislações como a chamada “Lei do Minuto Seguinte”, que garante assistência médica e psicológica imediata às vítimas de violência sexual, sem necessidade de registro policial prévio.

Para especialistas, a rapidez no acolhimento e a atuação integrada da rede são fatores decisivos para interromper ciclos de violência e evitar casos mais graves, como o feminicídio.

A orientação é que mulheres em situação de violência busquem ajuda o quanto antes. No Brasil, o canal nacional Ligue 180 funciona gratuitamente 24 horas por dia, oferecendo orientação e encaminhamento para os serviços de proteção.

Amazonas Repórter

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