Vereador é denunciado pelo MP-SC ao expor histórico de nazismo do pai de deputada


Uma frase pronunciada em um vídeo publicado em suas redes sociais rendeu um inquérito policial e uma denúncia por difamação por parte do Ministério Público (MP-SC) ao vereador de Florianópolis Leonel Camasão (PSOL-SC). A polícia de Santa Catarina e o MP-SC consideraram que ter se reportado à deputada federal Daniela Reinerh (PL-SC) como “filha de nazista” era o suficiente para o parlamentar ser formalmente denunciado.

Leonel Camasão, que responde a processos de bolsonaristas como Luciano Hang e Julia Zanatta, expôs a situação em suas redes. O MP tentou assinar um acordo de não persecução penal, exigindo que o vereador se retratasse e pagasse uma multa, mas ele não aceitou. “As falas do vídeo representam críticas ao trabalho da deputada. São posições naturais da política que estão protegidas pelo direito à liberdade de expressão”, aponta o advogado de Camasão, Lucas Pazin.

O caso começou a correr em 2025, após um Boletim de Ocorrência registrado pela deputada. Ela é casada com o Controlador-Geral do Estado e um dos braços direitos do governador Jorginho Mello, Freibergue do Nascimento. A agilidade do trâmite do inquérito, que contou até com perícia da Polícia Científica no vídeo postado por Leonel chamou a atenção do vereador.

“Uma frase de dois segundos em um vídeo se tornou um inquérito policial de 76 páginas. Teve até perícia no vídeo, instrumento que muitas vezes não é utilizado em episódios muito mais graves”, escreveu, no Instagram.

Daniela Reinerh foi governadora de Santa Catarina por alguns meses, quando o então governador Carlos Moisés esteve afastado respondendo a um processo de impeachment. Na época, o histórico do seu pai, Altair Reinehr, foi amplamente divulgado pela imprensa após a política tergiversar em resposta a questionamentos sobre a posição ideológica do familiar, considerado por historiadores como um negacionista do holocausto.

A defesa de Camasão juntou ao processo um levantamento realizado pelo doutor em História, Eliton Felipe de Souza, que comprova as conexões ideológicas do pai da deputada. Um dos documentos analisados foi um artigo publicado em um jornal em 2005, no qual ele escreveu que o Holocausto é uma “lenda”, definiu os 6 milhões de judeus mortos como “mito” e chamou as informações históricas sobre Auschwitz de “infame mentira”.

A denúncia feita pelo promotor Alvaro Pereira Oliveira Melo, da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, considera que Camasão difamou a deputada ao lhe atribuir “fato ofensivo à sua reputação”, considerando que ao chamá-la de “filha de nazista” o vereador utilizou-o de forma hostil, em contexto de “desqualificação pessoal”.

Em 29 de outubro de 2020, a imprensa local e nacional deu ampla repercussão ao que a governadora disse acerca das ideias do pai, professor de historia. “Existe uma relação e uma convicção que move a mim e a todos os senhores que se chama família. E me cabe, como filha, manter a relação familiar em harmonia, independente das diferenças de pensamento”, afirmou. Depois, diante da repercussão negativa junto a associações judaicas, ela disse ser contrária ao nazismo e reclamou dos recortes da fala inicial.

Questionado sobre dar prosseguimento à denúncia envolvendo uma discussão política em ano eleitoral, o MP respondeu apenas com o documento protocolado na justiça, no qual também afasta a imunidade parlamentar do vereador.

 





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