Manaus, AM – O vereador Rosinaldo Bual (partido AGIR) foi detido na manhã desta sexta-feira (3) em uma operação do Ministério Público do Amazonas (MP-AM), como parte de uma investigação que apura a existência de um esquema de “rachadinha” em seu gabinete na Câmara Municipal de Manaus (CMM). A chefe de gabinete e outro assessor também foram presos.
O que é rachadinha?
Rachadinha é o nome popular dado a um tipo de prática ilícita em que servidores públicos, assessores ou comissionados são obrigados a devolver parte de seus salários ao parlamentar ou a terceiros, como condição para manter seus cargos. Trata-se de crime contra a administração pública, normalmente enquadrado em peculato, corrupção ou associação criminosa, dependendo do caso.
Como ocorreu a operação
A ação foi coordenada pelo GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), órgão ligado ao MP-AM.
Foram cumpridos cerca de dez mandados de prisão e de busca e apreensão em diferentes pontos da capital amazonense, entre eles o gabinete do vereador na Câmara Municipal.
No gabinete de Bual, agentes encontraram três cofres. O vereador se negou a fornecer as senhas, o que levou à remoção dos cofres para perícia.
Alegações e indícios
A investigação indica que mais de cem pessoas passaram pelo gabinete de Bual desde o início de seu mandato, possivelmente envolvidas direta ou indiretamente com o esquema.
Quebra de sigilo bancário autorizada pela Justiça mostrou transferências financeiras para a conta pessoal de Rosinaldo Bual que alimentariam as suspeitas de desvio de verbas.
A prática de rachadinha estaria associada também a outros delitos: no mesmo inquérito, há menção de investigação de associação ao tráfico de drogas.
O contexto paralelo
Além das suspeitas atuais de rachadinha, Rosinaldo Bual já foi envolvido em outro caso este ano: sua residência foi alvo de um furto em abril, com subtração de R$ 130 mil em espécie e quatro armas de fogo. Um dos suspeitos era Gabriel Ferreira Barbosa, afilhado e assessor do vereador.
Posicionamentos e repercussão
Até o momento da detenção, não houve pronunciamento oficial do vereador abordando todas as acusações.
A Câmara Municipal de Manaus foi envolvida pela operação, já que mandados foram cumpridos dentro do prédio, no gabinete do parlamentar.
A população e os veículos de imprensa aguardam uma coletiva do MP-AM, que foi marcada para esta manhã na sede do órgão.
Próximos passos
A perícia nos cofres apreendidos deverá determinar quais documentos, dinheiro ou outros bens há no interior, contribuindo para o entendimento do funcionamento do esquema.
O andamento do processo de investigação do MP-AM poderá resultar em indiciamentos formais, medidas cautelares e, eventualmente, em perda de mandato, dependendo das provas.
A transparência nos atos da casa legislativa pode se tornar tema de debate intenso, inclusive entre moradores de Manaus, partidos políticos e órgãos de controle.
Impacto político e social
A prisão de um vereador por acusação de rachadinha repercute diretamente na confiança do cidadão nas instituições. Em uma cidade como Manaus, afetada por desafios de infraestrutura, saúde, segurança e transporte, casos de desvio de verba pública, se comprovados, têm efeito duplo: além do prejuízo financeiro imediato, corroem a legitimidade do poder público diante da sociedade.
Enquanto o processo investigativo segue, cabe à Justiça, ao Ministério Público e aos órgãos de controle apurar, de modo rigoroso e transparente, todas as acusações contra Rosinaldo Bual. Para além do julgamento legal, está em jogo a integridade da representação política em Manaus e a resposta institucional que garanta que práticas como rachadinha sejam penalizadas.




