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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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Vídeo mostra macacos compartilhando fruta com teor alcoólico


Durante uma pesquisa sobre o consumo de álcool entre primatas, cientistas registraram chimpanzés selvagens compartilhando frutas fermentadas pela primeira vez. As imagens foram feitas na África Ocidental e mostram os macacos se reunindo para comer alimentos naturalmente alcoólicos. 

O comportamento surpreendeu os pesquisadores por lembrar encontros sociais humanos envolvendo bebidas. A descoberta levanta novas perguntas sobre as origens do consumo coletivo de álcool.

Os chimpanzés observados pertencem à espécie Pan troglodytes, uma das mais próximas dos seres humanos. Eles foram filmados por câmeras camufladas no Parque Nacional de Cantanhez, na Guiné-Bissau, consumindo fruta-pão africana. Algumas dessas frutas estavam em processo de fermentação natural, o que significa que continham pequenas quantidades de álcool.

Pesquisa sugere que macacos teriam inventado a “happy hour”

A novidade está no fato de que os chimpanzés dividiram as frutas entre si, um tipo de compartilhamento incomum entre esses macacos, que costumam ser mais competitivos quando se trata de comida. 

Por isso, o ato de dividir frutas fermentadas pode ter valor social, como acontece entre humanos em eventos festivos. Para a cientista Kimberley Hockings, da Universidade de Exeter, na Inglaterra, esse comportamento pode representar um estágio primitivo do que hoje chamamos de confraternização. A hipótese é de que o álcool teria ajudado a estreitar laços em nossos ancestrais.

Segundo a análise, cerca de 90% das frutas compartilhadas tinham teor alcoólico de até 0,61%. Para comparação, uma cerveja comum tem cerca de 5%. Isso sugere que, embora os chimpanzés não estejam ficando embriagados, eles ingerem pequenas doses com frequência. Como seu metabolismo pode reagir de forma diferente ao álcool, mesmo baixos níveis podem ter algum efeito comportamental.

Apesar do foco no álcool, o estudo também revelou que as frutas fermentadas são mais fáceis de abrir. Isso pode explicar, em parte, por que são as preferidas dos chimpanzés. A casca mais macia facilita o acesso à polpa nutritiva. Ou seja, o interesse pelas frutas pode não estar ligado apenas ao álcool, mas também à praticidade e ao valor nutricional do alimento.

A ideia de que o consumo social de álcool tem raízes profundas na história dos primatas ganhou força com essa observação inédita. Sabe-se que os humanos bebem há pelo menos nove mil anos, mas a capacidade de processar o álcool surgiu há cerca de 10 milhões de anos, em um ancestral comum com os chimpanzés. Segundo os cientistas, falta agora entender os reais impactos sociais e evolutivos desse hábito entre os grandes símios.




Fonte: Olhar Digital

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