Donald Trump anunciou taxação a 184 países, incluindo Brasil (Composição: Lucas Oliveira/Cenarium)
03 de abril de 2025
Marcela Leiros – Da Cenarium
MANAUS (AM) – O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar produtos estrangeiros importados pelo país norte-americano pode gerar novas oportunidades para o Brasil e, mais especificamente, para a Zona Franca de Manaus (ZFM). Esta é a perspectiva de representantes comerciais do Estado, apesar de avaliaram que ainda é cedo para estabelecer certezas.
Mesmo não sendo o principal parceiro comercial do Amazonas quando o assunto é exportação, os Estados Unidos importaram do Estado, em 2024, US$ 99,8 milhões de valor FOB (preço de uma mercadoria que inclui o custo do produto e do transporte até o porto de embarque), como consta no site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). A Alemanha foi o principal destino das exportações amazonenses, com US$ 157 milhões, no total.
Nessa terça-feira, 2, Trump confirmou que os Estados Unidos passará a cobrar 10% de todas as importações do Brasil, como parte do decreto que estabelece tarifas recíprocas aos parceiros comerciais. Além do País sul-americano, outros 184 países também terão seus produtos taxados. Para alguns, como a China, essa tarifa será de 34%.
À CENARIUM, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Amazonas, Serafim Corrêa, comentou sobre o “tarifaço” e como pode ser uma nova oportunidade para o Estado, se tratando se novas relações comerciais.
“Isso pode abrir uma oportunidade e a gente precisa de um tempo para maturar isso. Falar em perspectiva, é de que os países vão se entender entre si. E aquilo que a gente vai deixar de vender para os Estados Unidos, vai vender para outros países, e também vai comprar de outros países“, disse Corrêa.
O secretário ainda observou que a taxação pode ser um “tiro no pé” de Trump. “Ele vai se isolar. Eu creio que o comércio internacional vai se intensificar a partir do momento em que os Estados Unidos criam barreiras para eles próprios“, complementou.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), Antonio Silva, também vê novas oportunidades para os produtos brasileiros. Dentre os principais produtos exportados para os Estados Unidos, da Zona Franca, estão motocicletas, naftas, máquinas de autoatendimento e madeira.
“Precisamos avaliar a medida em contexto amplo. A imposição da tarifa recaiu sobre diversos países e não somente sobre o Brasil. Isso significa dizer que outros países concorrentes do Brasil foram taxados a alíquotas ainda maiores, o que pode representar uma vantagem para os produtos nacionais“, declarou.
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Taxações
Donald Trump apelidou a data de ontem de “Liberation Day” (“Dia da Libertação”, em português) porque, segundo ele, marca o momento em que os EUA se libertam do que ele chamou de comércio estrangeiro “injusto”. A aplicação das tarifas sobre produtos e parceiros comerciais tem o objetivo de fortalecer a economia do país, reverter déficits comerciais e recuperar a competitividade da indústria norte-americana.
A primeira medida tarifária foi anunciada em 1º de fevereiro. Na ocasião, Trump aplicou 25% sobre produtos do México e do Canadá com a justificativa de que os países eram responsáveis pela chegada de “inúmeros e horríveis” imigrantes aos EUA, pela entrada de drogas no país e pelo déficit nas contas públicas.
Em nota conjunta dos ministérios das Relações Exteriores e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, o governo federal brasileiro informou que não descarta a possibilidade de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra o tarifaço americano. No entanto, destacou que a prioridade, neste momento, é negociar a reversão das medidas anunciadas pelo presidente Donald Trump.
De acordo com o comunicado, a taxação viola regras da OMC. Além disso, foram apresentadas estatísticas comerciais do próprio governo norte-americano, destacando que a balança comercial já é mais vantajosa para os Estados Unidos, porque o Brasil mais importa do que exporta para aquele país.
O texto ressaltou ainda a aprovação, pelo Congresso Nacional, do Projeto de Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao governo brasileiro adotar medidas contra países que imponham barreiras comerciais a produtos do Brasil.
Fonte: Agência Cenarium