GOVERNO FEDERALspot_imgspot_img
24.3 C
Manaus
quinta-feira, abril 3, 2025
GOVERNO FEDERALspot_imgspot_img

30 anos de compromisso com a ciência na Amazônia



Crianças com a árvore Tanibuca, no Bosque da Ciência (Ricardo Oliveira/Cenarium)

01 de abril de 2025

MANAUS (AM) – No dia 1º de abril de 1995, era inaugurado o Bosque da Ciência, uma área que o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) abriu para que o público pudesse ter acesso àquilo que a organização produz: ciência. Em 2025, o lugar completa 30 anos de sua abertura, e seu atual coordenador, Jorge Lobato, contou à CENARIUM um pouco sobre a história da criação do espaço.

Folha de coccoloba no Inpa (Ricardo Oliveira/Cenarium)

Segundo Lobato, no início dos anos 1990, o Inpa recebeu, da Marinha, a doação de uma área de 13 hectares no bairro Petrópolis, na Zona Sul de Manaus. No passado, o terreno era utilizado para a extração de madeira para a produção de carvão.

Dali começa o ponto de partida de se manter consolidada uma área que estava sendo desgastada, principalmente pelo processo de favelização da região. A invasão era constante por parte dos atuais moradores adjacentes”, disse o coordenador.

Jorge Lobato explicou que, inicialmente, a ideia do pesquisador Juan Revilla era criar um Jardim Botânico no local. O então presidente do Inpa naquele período, José Seixas Lourenço, gostou da iniciativa, mas queria algo diferente.

“A ideia era criar um grande museu a céu aberto. Nada de zoológico ou algo muito parecido com o que já existia em Manaus. Então, veio a ideia de estabelecer um grande projeto de difusão científica para o instituto”, disse.

Estudantes em visita ao Bosque da Ciência (Ricardo Oliveira/Cenarium)

Na mesma época, o Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil, também chamado de “PPG7” (já que foi criado em uma reunião de países do G7), exigia que os centros de excelência criassem políticas de disseminação da divulgação científica, dando mais força ao nascimento do Bosque da Ciência.

“Passou-se quase três anos estruturando um projeto de difusão científica para o Inpa. Então, o Bosque nasce dessa forma, de cabeças, de contribuição de várias pessoas”, destacou Jorge Lobato.

Jacaré-Açu no Bosque da Ciência (Ricardo Oliveira/Cenarium)
Ciência e sociedade

Para o coordenador, que está presente no processo desde o princípio, a iniciativa foi algo nobre, uma vez que, naquela época, a socialização do conhecimento e a divulgação da ciência ainda eram vistas pela comunidade científica como “uma coisa muito estranha”.

“Era difícil convencer um doutor, um PhD, a entender que ele poderia contribuir, que ele poderia se comunicar, principalmente com o leigo, com as crianças. A partir desse momento, o Inpa quebra esses muros, faz uma abertura para que as pessoas pudessem ser internalizadas no dia a dia. O Inpa passa a prestar contas à sociedade do que se faz de ciência e tecnologia na Amazônia”, ressaltou.

O Bosque da Ciência recebe, pelo menos, 120 mil visitantes por ano (Ricardo Oliveira/Cenarium)

Jorge Lobato destacou ainda que a maior ferramenta que a instituição utiliza se chama “popularização da ciência“, e que o local não é mais o “Bosque do Inpa”, mas o “Bosque de Manaus, do Amazonas, da Amazônia”.

Comemoração

Atualmente, o roteiro de atrações do Bosque da Ciência conta com a Casa da Ciência, Paiol da Ciência, Ilha da Tanimbuca, Casa de Madeira, Lago Amazônico, tanques de peixe-boi, viveiro de ariranhas, trilha suspensa, viveiro dos jacarés, trilha de agroflorestas, condomínio de abelhas, fauna livre e outras.

Ariranha, no Bosque da Ciência, em Manaus (Ricardo Oliveira/Cenarium)

Ao longo dessas três décadas, a visitação aos peixes-boi (Trichechus inunguis) se tornou uma das principais marcas do espaço, que já recebeu pelo menos 2 milhões de pessoas.

“A maioria dos visitantes vem para ver o peixe-boi. Fica muita gente ali, próximo ao vidro dos tanques. Esses visitantes fazem muitas perguntas e se mostram muito interessados neles”, comentou Antony Rodrigues Filho, médico veterinário do Departamento de Biologia Aquática do Inpa, responsável pelos peixes-bois do Bosque da Ciência há 11 anos.

Antony também faz parte da Associação dos Amigos do Peixe-boi (Ampa), criada em 2000 e que funciona em parceria com o Inpa. O projeto luta pela proteção e conservação dos mamíferos aquáticos da Amazônia. Apesar de carregar o “peixe-boi” em seu nome, a Ampa também atende botos, ariranhas e lontras.

Os filhotes de peixes-boi são alimentados com um composto desenvolvido por alunos do Inpa (Luiz André Nascimento/Cenarium)
Resgate e soltura

Trabalhando com a espécie desde 1974, o Inpa criou as primeiras instalações para reabilitação de peixes-boi da Amazônia dois anos depois, em 1976, no Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA). Desde então, o setor é focado em localizar animais da espécie feridos ou vulneráveis no habitat natural (devido, principalmente, à ação de caçadores ilegais), tratá-los e devolvê-los ao meio ambiente.

“Quando chegam, eles são submetidos a exames clínicos e físicos, e, se identificada qualquer anormalidade, é tratada. Essa é a fase de reabilitação, tanto nutricional quanto de alguma doença. Os animais são acompanhados aqui dentro até o dia da soltura”, disse o veterinário.

Resgate de peixe-boi (23.mar.25 – Ricardo Oliveira/Cenarium)

Para que esse retorno ocorra de forma segura, Antony explicou que, além de estar saudável, o animal precisa apresentar instintos defensivos, uma vez que ter uma personalidade mais mansa pode dificultar sua sobrevivência em meio à vida selvagem.

Ao longo desses anos, mais de 40 animais da espécie foram reintroduzidos à natureza. Atualmente, 68 estão sob os cuidados do Inpa. “É gratificante quando nós acompanhamos um animal desde filhotinho. Chegam animais muitas vezes recém-nascidos aqui e nós conseguimos reintroduzi-los à natureza. A gente se sente com o dever cumprido”, relatou o médico.

Jardineiro da Amazônia

Antony explica, ainda, que o principal objetivo do LMA e da Ampa é a preservação da espécie. Considerado o “jardineiro da Amazônia”, uma das principais funções do peixe-boi é espalhar, dentro do ecossistema da região, sementes de frutas que eles consomem.  

“O peixe-boi é uma espécie que tem grande importância dentro da ecologia. Ele é um animal que funciona como difusor de sementes, ele controla a vegetação nos rios, e é um indicador de locais propícios para pesca. Onde tem o peixe-boi, tem alimento”, comentou.

Peixe-boi resgatado e tratado no Bosque da Ciência (23.mar.25 – Ricardo Oliveira/Cenarium)
30 anos divulgando ciência

Para os 30 anos do Bosque da Ciência, o Inpa preparou uma programação especial para que a sociedade, principal razão de sua existência, possa comemorar junto. Entre os dias 2 e 6 de abril, o espaço oferecerá mais de 50 atividades abertas ao público, como exposições, oficinas, palestras, visitas guiadas, jogos e muito mais.

“Nós convidamos a sociedade amazonense em geral, para quem não conhece e quem já conhece também, prestigiar esse evento. Vai ser um evento muito bom, foi muito bem planejado, com muito carinho e dedicação pelas pessoas envolvidas. Venham ver o peixe-boi. Venham conhecer um pouco mais desse marco aqui da cidade de Manaus”, convidou Antony Rodrigues Filho.

O Bosque da Ciência está localizado na Avenida Bem-Te-Vi, bairro Petrópolis, Zona Sul de Manaus. As visitas regulares podem ser feitas de terça-feira a domingo, das 9h às 16h30. O acesso é gratuito, mas deve ser pré-agendado pelo site https://bosquedacienciaam.wixsite.com/agendamento.



Fonte: Agência Cenarium

Amazonas Repórter

Tudo
spot_imgspot_img

Petrobras reduz preço da gasolina para as distribuidoras

O litro da gasolina passa de R$ 2,78 para R$ 2,66, uma redução de 4,3%. A gasolina está no menor preço para as distribuidoras...

Idosa de 93 anos relata tristeza ao ter casa alagada em Manaus

A aposentada Teresinha Maciel dos Santos, de 93 anos de idade (Ricardo Oliveira/Cenarium) ...

Evento em Manaus reúne especialistas nacionais e internacionais, para discutir a segurança do paciente nas unidades de saúde

A segurança do paciente nas unidades de saúde, de forma a eliminar erros e riscos evitáveis que podem ser prejudiciais e até fatais, é o...
spot_imgspot_img
×

Participe do grupo mais interativo da Cidade de Manaus. Sejam muito bem-vindos(as)

WhatsApp Entrar no Grupo