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Um drone invadiu um apartamento no sexto andar de um prédio na Glória, no Rio, no meio da madrugada. O morador acordou assustado com o barulho, acendeu a luz e viu o intruso voador desaparecer pela janela. Na Malásia, um casal viajou 400 quilômetros para visitar uma atração turística só pra chegar lá e descobrir que não existia. O teleférico que eles viram num vídeo foi gerado por inteligência artificial. Aliás, não só o teleférico, o repórter, os entrevistados e tudo no vídeo era falso.
Os dois episódios aparentemente desconectados são parte de um mesmo fenômeno que aponta que estamos perdendo o controle sobre o que é real. O caso do drone expõe nossa vulnerabilidade física diante de tecnologias avançadas e acessíveis. Qualquer pessoa pode comprar um drone capaz de invadir privacidade, monitorar movimentações ou até cometer crimes. O prédio já colocou avisos nos elevadores pedindo para os moradores não deixarem janelas abertas para se proteger de algo que pode ser o novo normal. Não vai demorar o dia em que lidar com drones zunindo pelas nossas janelas será algo corriqueiro.

A história do casal enganado mostra que nossa capacidade de distinguir entre real e sintético já está sendo afetada. O vídeo do teleférico era convincente, incluía supostas entrevistas com pessoas na rua, mostrava a atração. Quando descobriu que nada daquilo era real, o casal primeiro pensou em processar a repórter e o canal responsável. Só que é impossível processar algo que não existe.
Entramos numa era onde em que podemos nos sentir tão vulneráveis que pode gerar um estado de paranoia tecnológica, uma desconfiança generalizada de que qualquer coisa pode ser falsa e qualquer lugar pode ser invadido. E esses são os casos que se tornaram públicos, muitos outros devem ocorrer sem que muita gente saiba.
Nessa realidade distópica, acordar assustado pode significar apenas que o futuro entrou pela janela.
Fonte: ICL Notícias




