‘A senhora vem encher o saco aqui’, diz vereadora no PR a parlamentar cearense


Por Catarina Scortecci

(Folhapress) – Durante uma discussão na sessão da Câmara de Curitiba nesta quarta-feira (5), a vereadora delegada Tathiana Guzella (PL) perguntou à vereadora Vanda de Assis (PT) por qual motivo a petista não voltava para a cidade onde nasceu, no Ceará.

A fala foi apontada como xenófoba pela parlamentar do PT, que afirmou que tomará medidas judiciais.

A Folha de S.Paulo fez contato no final da manhã com a assessoria de Tathiana e aguarda uma resposta. A vereadora do PL exerce seu primeiro mandato na Casa e é pré-candidata a deputada estadual. Ela é casada com o deputado estadual delegado Tito Barichello (PL) — o casal, que se apresenta como “casal da lei”, se diz fã do ex-presidente Jair Bolsonaro e é conhecido pela agenda armamentista.

Vanda utilizava a tribuna do plenário para contestar um projeto de lei envolvendo pessoas em situação de rua. O texto é de autoria do vereador João Bettega (PT) e também recebeu apoio de Tathiana.
Durante o discurso da petista, Tathiana pediu espaço para se manifestar e, do seu assento no plenário, se dirigiu à Vanda: “Vereadora, a senhora é de Campos Sales, no Ceará?”, iniciou Tathiana.

“Se a senhora gosta tanto de proteger [inaudível], gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, os partidos correlatos ao PT, por que a senhora não volta para o Ceará? A senhora nasceu lá e vem encher o saco aqui”, atacou a parlamentar do PL.

Ainda na tribuna, Vanda afirmou em seguida que xenofobia é crime e que a vereadora errou. “A senhora será representada por isso. Eu não aceitarei nenhuma prática xenofóbica nem comigo nem com nenhuma pessoa que escolheu morar em Curitiba. A senhora pensa que está acima da lei, mas aqui a senhora está vereadora e tem um código de ética a cumprir”, respondeu a petista.

“Eu sou a primeira vereadora nordestina eleita em Curitiba e um dos papéis que vou cumprir aqui é combater a xenofobia, de vereadores conservadores de extrema direita e de quem nesta sociedade quiser ser xenofóbico com qualquer pessoa”, continuou ela, que exerce o primeiro mandato na Casa e é pré-candidata a deputada estadual.

Mais tarde, em nota à Folha de S.Paulo, Vanda afirmou que vai tomar “todas as medidas judiciais cabíveis dentro e fora da Câmara” e que não pretende naturalizar o episódio ou tratá-lo como divergência política.

“O que mais me indigna é pensar que isso aconteceu dentro da Câmara Municipal, a casa do povo, em uma sessão pública transmitida ao vivo. Se uma parlamentar se sente à vontade para praticar xenofobia nesse espaço institucional, imagine o que vivem diariamente tantas pessoas migrantes que enfrentam o preconceito longe das câmeras e sem a visibilidade de um mandato”, disse Vanda.

O caso repercutiu na Casa e gerou protestos de parlamentares aliados. O presidente estadual do PT, deputado estadual Arilson Chiorato, divulgou uma nota de repúdio, em que diz que “a fala da bolsonarista não representa o sentimento do povo curitibano e paranaense com as irmãs e irmãos de todos os estados brasileiros”.





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