Dino vê ‘matriz racista’ em críticas e denuncia ‘preconceito regional’


Por Gabriel Gomes

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou neste domingo (20) que parte das críticas feitas à sua atuação na Corte revela, em sua avaliação, um “preconceito regional” de “matriz racista”. Em publicação nas redes sociais, o magistrado disse perceber “ódio” à sua origem maranhense em textos publicados por jornais.

“Um aspecto em algumas ‘críticas’ a mim endereçadas em jornais, desde que cheguei ao STF, chama muito a minha atenção: o ódio à minha procedência regional”, escreveu.

Dino mencionou como exemplos expressões como “jurista de província”, “pessoa destituída de qualquer qualificação” e “oratória grandiloquente de província”. Esta última foi usada em editorial do jornal O Globo publicado na quinta-feira (17), que criticou a atuação dele e do ministro Gilmar Mendes durante a sessão extraordinária do Supremo realizada na terça-feira (15).

Na sessão, os ministros discutiram os procedimentos relacionados à apuração envolvendo mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e que mencionavam integrantes do STF. Dino teve participação ativa nos debates e fez diferentes referências ao filósofo grego Aristóteles.

Dino rebate críticas sobre Aristóteles

Além das referências à sua origem, Dino contestou críticas dirigidas às citações filosóficas feitas por ele durante as sessões da Corte. O ministro afirmou que estudou Aristóteles na Universidade Federal do Maranhão (UFMA), sob orientação do professor Agostinho Ramalho Marques Neto, e posteriormente durante o mestrado na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com o professor João Maurício Adeodato.

“Mas como? No Maranhão e em Pernambuco se estuda Aristóteles?”, ironizou Dino ao reproduzir o que considera ser a visão presente nas críticas.

O ministro também mencionou expressões usadas para questionar suas referências, como “citações de algibeira” e “frases que constam em qualquer manual de ensino médio”. Dino afirmou que algumas contestações desconsideram o uso de paráfrases e disse que continuará recorrendo a autores e referências que considerar pertinentes em suas manifestações.

“Da minha parte, seguirei citando a Constituição Federal, as leis, Aristóteles, Max Weber, Hobbes, e tudo que eu achar pertinente, inclusive Chico César e Fábio Porchat”, escreveu.

Flavio Dino. (Foto: Gustavo Moreno/STF)

Dino reconheceu que o exercício de uma função pública o submete a críticas, mas afirmou considerar necessário apontar situações em que entende haver ofensa às leis, à dignidade e à decência. “Quem sabe o alerta serve para que melhorem a qualidade ética e técnica das ‘críticas’? E para que escrevam textos menos raivosos e mais consistentes”, declarou.

‘Orgulho da minha província’

Ao final da publicação, Dino reafirmou sua ligação com o Maranhão e disse ter orgulho de sua origem no Nordeste e na Amazônia.

“Seguirei tendo orgulho da minha ‘província’, do Nordeste e da Amazônia, onde aprendi a não me submeter aos gritos e imposições de quem se acha intérprete das ‘metrópoles’ do Brasil ou de países estrangeiros”, escreveu.

O ministro relacionou ainda a manifestação à independência do Judiciário. Segundo Dino, a autonomia diante de pressões externas é indispensável ao exercício de sua função no Supremo.

“Sou magistrado, e por isso zelo pela independência funcional diante de todos os poderes públicos e privados, pois sem ela não existe Poder Judiciário”, concluiu.





ICL – Notícias

Longa de André Novais vence o Festival de Brasília de Cinema

O longa-metragem Se eu...

Esposa de Moraes nega vínculo pessoal com Vorcaro em viagem de jatinho

Por André Richter – Agência Brasil O escritório de advocacia Barci de Moraes...

Brasil fecha Copa do Mundo de ginástica com mais cinco pódios

Neste domingo (20), último...

Amazonas Repórter

Tudo

Mais uma montadora chinesa pode vir ao Brasil

O Brasil pode receber mais uma montadora elétrica chinesa nos próximos anos. A informação é do vice-presidente da XPeng, Brian Gu, em entrevista...