Alunos de colégio tradicional no Rio são suspensos após denúncia de racismo


Por Lola Ferreira

(Folhapress) — O tradicional Colégio Pedro 2º, no Rio de Janeiro, escola pública federal, suspendeu alunos suspeitos de prática de racismo contra um colega de 12 anos. A mãe do adolescente afirma que o filho era chamado de macaco e recebia outras ofensas em relação à cor da pele dele.

A instituição não detalhou quantos foram suspensos nem por quanto tempo. Em nota, o Colégio Pedro 2º afirmou que “situações de racismo são tratadas com máxima seriedade” e que “reafirma seu compromisso inegociável com a defesa dos direitos humanos, o combate a todas as formas de discriminação e a construção de um espaço seguro, acolhedor e respeitoso para todas e todos”.

A mãe do adolescente acusa o colégio de omissão. De acordo com ela, funcionários da unidade Centro -uma entre os 14 campi do colégio- já sabiam que o filho era alvo de racismo, mas não informaram a família do problema em nenhum momento.

A mãe diz ter sido convidada para uma reunião quarta-feira (17) e afirma que, na ocasião, a direção afirmou que soube do caso pela repercussão na imprensa. Antes, instâncias de pedagogia do colégio, segundo a mãe, já estavam cientes do que aconteceu.

Na reunião, segundo a mãe, a diretora ofereceu tratamento psicológico -que foi recusado, pelo fato de o menino estar sendo atendido por um psicólogo do Conselho Tutelar- e perguntou se havia algo a mais a ser feito pela escola.

A mãe informou que avalia quais providências legais irá tomar em relação ao crime cometido contra o filho, mas lamenta que a ação tenha sido partilhada por mais de um aluno.

“Hoje está acontecendo com meu filho, amanhã será outra criança. É preciso fazer algo para parar [o racismo] no ambiente escolar”, declarou a mãe à reportagem, que não cita seu nome para não expor o estudante menor de idade.

Em nota, a direção-geral do colégio Pedro 2º, campus centro, disse que o Setor de Orientação Educacional e Pedagógica foi procurado para relatar uma situação envolvendo prática de racismo.

“Diante da gravidade do ocorrido e do rigor que casos dessa natureza exigem, os procedimentos de apuração foram imediatamente iniciados, em conformidade com os ritos institucionais”, diz o comunicado. Segundo o colégio, as famílias envolvidas “já foram convocadas para esclarecimentos e oitivas, junto aos setores pedagógicos e à direção do campus”.

Assim que for concluída a apuração, o colégio diz que tomara as “medidas disciplinares cabíveis”, conforme previsto no Código de Ética Discente, “assegurando o devido processo e a responsabilização adequada”.

“Destacamos ainda que o Colégio Pedro 2º desenvolve ações pedagógicas permanentes voltadas ao enfrentamento do racismo, compreendendo que a educação é elemento central na promoção do respeito.”





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