Argentina: Decisão de Milei pode afetar preço de carros no Brasil


O governo do presidente Javier Milei, da Argentina, oficializou a eliminação gradual do imposto de exportação sobre produtos industriais. A medida alcança veículos fabricados no país vizinho e vendidos aqui no Brasil, o que pode impactar no preço dos carros.

A medida reduz uma alíquota de 4,5% até zerá-la em junho de 2027. Na prática, a mudança beneficia montadoras instaladas no país vizinho, responsáveis pela produção de modelos como Toyota Hilux, Toyota SW4, Ford Ranger, Volkswagen Amarok, Fiat Cronos e Fiat Titano, todos comercializados no mercado brasileiro.

Impacto nos preços

Apesar disso, especialistas avaliam que a redução dificilmente será percebida pelos consumidores. Como o corte ocorrerá de forma gradual, à razão de 0,375 ponto percentual por mês, o impacto tende a ser absorvido por fatores como inflação, oscilações cambiais e custos logísticos antes de chegar ao preço final dos veículos. A informação é do site Uol.

Estimativas divulgadas pela imprensa argentina apontam que, mesmo após a eliminação completa da alíquota, a redução potencial no preço dos automóveis exportados seria próxima de 2%, percentual inferior ao imposto atualmente cobrado.

O cenário mais provável é que as montadoras utilizem a economia tributária para ampliar margens de lucro ou financiar campanhas comerciais pontuais, como bônus, descontos para pessoas jurídicas, condições especiais de financiamento ou incentivos para desovar estoques, em vez de promover reduções permanentes nos preços de tabela.

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Decisão de Milei pode afetar preço de carros no Brasil. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Indústria automobilística enfrenta dificuldades no governo Milei

A decisão também ocorre em meio às dificuldades enfrentadas pela indústria automobilística argentina após a abertura econômica promovida por Milei. Nos últimos meses, montadoras passaram a rever investimentos e estratégias de produção diante da perda de competitividade do país.

Um dos casos foi o do Ford Everest, cuja produção chegou a ser estudada para a fábrica de General Pacheco, mas acabou descartada em razão dos custos da operação. Outro exemplo foi o Volkswagen Taos, que deixou de ser exportado da Argentina para o Brasil e passou a ser importado do México, movimento que permitiu reposicionar o modelo no mercado brasileiro com redução superior a R$ 20 mil na linha 2026.

Ao eliminar o imposto de exportação, o governo argentino tenta reduzir parte desses custos e recuperar a competitividade da indústria nacional. Até o momento, porém, Ford, Toyota, Volkswagen e Fiat não informaram se a mudança será repassada aos consumidores brasileiros.





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