BC começa a rastrear bets ilegais após TCU apontar falhas no monitoramento


Pedro S. Teixeira

(Folhapress) – O Banco Central começa a rastrear, nesta quinta-feira (21), pessoas e empresas suspeitas de atuarem como bets ilegais. Isto é, bancas sem licença do governo que oferecem apostas esportivas e jogos online como o Fortune Tiger (jogo do tigrinho) e não pagam impostos nem repassam receitas ao governo.

O monitoramento depende de adaptações das instituições financeiras reguladas pelo BC, que podem aderir desde já à iniciativa e terão até 1º de dezembro para implementar o monitoramento.

O jogador que fizer aposta em uma bet ilegal também receberá uma marcação interna. Para isso, as instituições financeiras usarão o Fraud Marker, mesmo sistema em que há a denúncia de golpes do Pix. Todos os sites legalizados de apostas têm o endereço finalizado com o domínio .bet.br.

A autoridade monetária afirma que as instituições financeiras deverão fazer as marcações sob sigilo, para garantir o respeito à LGPD (lei geral de proteção de dados) e à livre concorrência.

A decisão da diretoria colegiada do BC é de terça-feira (19), mesmo dia em que o TCU (Tribunal de Contas da União) apontou, em auditoria, a necessidade de avançar no combate a casas de apostas ilegais, a fim de prevenir crimes de lavagem de dinheiro. O documento afirma que existem “deficiências sistêmicas” no trabalho da Fazenda contra as bets ilegais.

O TCU estima que as bets ilegais movimentem entre R$ 26 bilhões e R$ 40 bilhões ao ano, o que significaria taxa entre 41% e 51% do dinheiro destinado a jogo no Brasil. Os dados constam de estudo da LCA contratado por bets e revisado pelo tribunal.

O BC ainda vai monitorar a prestação de serviços financeiros, a contratação de empréstimos e transações de criptoativos envolvendo os operadores irregulares.

As instituições financeiras têm até 30 de outubro para começar a monitorar as transações de bets ilegais com criptoativos e até o dia 1º de dezembro para começar a monitorar todas as transações de contas sob suspeita de pertencer a uma bet ilegal.

A regulação das apostas no Brasil, iniciada pelo governo de Michel Temer em 2018 e concluída por Lula em 2024, avançou sobre duas principais justificativas: combater o mercado ilegal e garantir arrecadação tributária com a atividade.

Contudo, o problema do mercado ilegal, muitas vezes ligado a grupos criminosos estrangeiros com licenças em paraísos fiscais como Malta e Bahamas, persiste. A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) diz ter retirado do ar, no ano passado, mais de 39 mil endereços ligados a bets irregulares, enquanto são autorizadas a atuar no Brasil apenas 85 CNPJs (cada um pode controlar até três sites de aposta).

O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, já disse à reportagem que a derrubada dos sites apenas seria um paliativo se não fosse acompanhada de medidas que atingissem as empresas financeiramente.

Segundo o relatório do IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável), que serviu de base para a perícia do TCU, as movimentações financeiras de bets ilegais costumam envolver a compra de criptoativos. Também incluem operações de câmbio fora do ambiente regulado, como forma de apagar a origem do dinheiro.

Na auditoria, o TCU analisou o papel da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla) no enfrentamento das casas de apostas ilegais. A Enccla é uma iniciativa do governo, que une entes estatais, incluindo o Banco Central, e representantes da sociedade civil para formulação de políticas públicas contra o crime financeiro.

Embora o tribunal certifique o avanço do mercado regulado, a auditoria aponta falhas na supervisão do setor. “O exame dos documentos apresentados pela Anatel, Ministério da Fazenda, BC, Coaf e Receita Federal evidenciou deficiências sistêmicas na capacidade operacional da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda para detectar tempestivamente casas de apostas não autorizadas que utilizam a infraestrutura digital brasileira para exploração irregular de apostas de quota fixa.”

O TCU recomenda que a SPA institua um mecanismo permanente de coordenação institucional de combate às apostas irregulares e invista em instrumentos tecnológicos e metodológicos para detectar as bets ilegais.

Procurada, a Fazenda não respondeu .

Em anúncio do dia 24 de maio, a SPA disse que fez 1.665 notificações a instituições financeiras, que resultaram no encerramento de 697 contas ligadas a operações suspeitas com apostas ilegais.

“O Brasil estabeleceu regras claras para o funcionamento das apostas de quota fixa, e não haverá espaço para quem tenta operar à margem desse sistema ou criar estruturas para contornar a legislação”, afirmou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, na ocasião.





ICL – Notícias

Crise entre Flávio e Ciro amplia dúvidas no Centrão em 2026

Por Cleber Lourenço A operação Compliance Zero, da Polícia Federal, não abalou apenas...

Inca faz campanha para ampliar ajuda a pacientes vulneráveis

O INCAvoluntário, área de...

Bilhetes com ordens do PCC mostram ligação de Deolane com facção

Bilhetes que continham ordens...

Amazonas Repórter

Tudo

Agentes de imigração atiram em duas pessoas, um dia após morte de mulher nos EUA

Um agente da Patrulha da Fronteira dos Estados Unidos atirou em um...

Santos inscreve filho de Robinho no Brasileirão

O Santos oficializou a inscrição de Robson de Souza Júnior, o Robinho Jr., no Campeonato Brasileiro. Aos 17 anos, o meia-atacante da base, que...

Eduardo Braga chega confiante para votação da PEC da reforma tributária na CCJ

O senador Eduardo Braga (MDB-AM) chegou otimista à Comissão de Constituição e Justiça, nesta terça-feira (07/11), para dar início ao debate e votação da...