A deputada federal Caroline de Toni (PL-SC), que brigou publicamente com lideranças do PL pelo direito de concorrer ao Senado pelo estado a partir da mudança de domicílio eleitoral de Carlos Bolsonaro (PL-Santa Catarina), foi rifada pelo bolsonarismo após a divulgação da primeira pesquisa Quaest no Estado. De Toni, que disputa uma vaga com a chapa pura ao lado de Carlos, ficou em terceiro lugar nas intenções de voto. Ela está atrás de Esperidião Amin (PP-SC) e do filho do ex-presidente.
A situação é indefinida (veja os números abaixo), mas gera desconforto no núcleo ideológico do bolsonarismo, do qual ambos fazem parte e que vive sob uma tensão que expõe a rivalidade do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e dos irmãos Bolsonaro. Eduardo Bolsonaro tem falado, nos últimos dias, sobre o termo “eduardismo” e “eduardistas”para definir aqueles que o apoiam em suas aspirações.
O suposto “movimento eduardista” já mapeou De Toni como um risco. Embora nunca tenha tomado partido publicamente nas desavenças dos irmãos, ela tem o apoio de Michelle Bolsonaro desde quando ainda disputava a preferência do PL no duelo com Carlos Bolsonaro.
Caroline de Toni também é próxima de Nikolas Ferreira, desafeto e rival interno dos filhos do ex-presidente no PL. Para fechar a conta, ela é próxima de Ana Caroline Campagnolo, a deputada estadual que brigou publicamente com os irmãos Bolsonaro e que rejeita apoio a Carlos (leia nossa apuração na Revista Liberta).
A situação é de desconforto. No início da campanha, Caroline de Toni, que tem um histórico de votação por todo o Estado, evitou expor as tensões e levou o nome de Carlos como parte do seu projeto. Mas ela passou a ser cobrada por apoiadores e pela ala mais pragmática do PL para se dedicar exclusivamente à sua campanha, sem pregar o voto casado e deixando o eleitor livre para escolher o segundo voto.
Carlos Bolsonaro acabou fazendo isso antes. Pouco presente no Estado, ele tem usado em postagens nas redes apenas o próprio número como candidato ao Senado, o que também deixa o eleitor sem vê-lo como dupla de De Toni na chapa.
Eduardo também se moveu, nos Estados Unidos, para ajudar o irmão. Logo após o resultado da primeira pesquisa Quaest, chamou o olavista Silvio Grimaldo, um antigo aliado, de “canalha” por dizer que a intervenção de Carlos em Santa Catarina iria retirar De Toni da política.
Em defesa do irmão, ele disse que Carlos estava, sim, pedindo votos à companheira de chapa. “Vocês estão fazendo campanha para o Esperidião Amin e agora estão reclamando deste resultado de pesquisa?”.
O “vocês” é endereçado justamente ao grupo de Nikolas, hoje o principal rival do auto proclamado movimento “eduardista” de Eduardo Bolsonaro na disputa pelo eleitor radicalizado do bolsonarismo.
Zanatta escala tensão
Como já era de se esperar, a deputada federal Julia Zanatta (PL-Santa Catarina) também não ficou de fora da briga e desprezou Caroline de Toni em um evento público realizado em Brasília, pelo site Congresso em Foco, no meio da semana.
Amiga próxima de Eduardo Bolsonaro, que a projetou na política, Zanatta vinha alardeando suas redes contra a campanha de uma deputada estadual da coligação de Jorginho Mello. A deputada Paulinha (Podemos) estava divulgando “colinhas”sem o número de Flávio Bolsonaro e do irmão e só com o próprio número e do candidato ao governo.
Paulinha esteve com De Toni um dia após a crítica de Zanatta, que foi repostada por Eduardo Bolsonaro no X. As duas interagiram animadamente enquanto seguravam a colinha criticada por Julia. O fato repercutiu quando já se conhecia os resultados da Quaest e gerou um alerta para os “Eduardistas” observarem De Toni com desconfiança.
Enquanto o sentimento de traição e de racha se espalha, Carlos Bolsonaro evita o nome da colega de chapa. Já De Toni, mesmo impulsionado por aliados da ala olavista liderada por Nikolas Ferreira, ainda não soltou a mão do “zero dois”: em vídeo postado esta semana ela enaltece a família e jura lealdade a eles.
A projeção da Quaest/NSC
Combinação votos totais
Esperidião Amin (PP): 19%
Carlos Bolsonaro (PL): 16%
Carol De Toni (PL): 12%
Décio Lima (PT): 9%
Afrânio Boppré (PSOL): 2%
Lunelli (MDB): 2%
Túlio de Amorim Pfuetzenreiter (Missão): 1%
Ana Lúcia da Silveira Machado (UP): 1%
Joaninha de Oliveira (PSTU): 1%
Carol (PCO): 1%
Marlene Soccas (UP): 1%
Jeferson Rocha (PRD): 1%
Marcos Dorval (PSTU): 0%
Indecisos/não sabe/não respondeu: 23%
Branco/nulo: 11%
A pesquisa foi registrada no TSE sob o número SC-00517/2026 e BR-07160/2026.





