Boulos lança iniciativa para tentar aproximar governo Lula de periferias


Por Géssica Brandino 

(Folhapress) – O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), lançou neste sábado (8) iniciativa Governo na Rua, com o objetivo de ampliar o diálogo entre o presidente Lula (PT) e as periferias do país a um ano das eleições de 2026.

O ato inaugural foi realizado na região de Campo Limpo, onde Boulos reside, na zona sul de São Paulo. O palco do evento foi montado em um campo de futebol, cercado por sobrados de alvenaria, a maioria sem reboco, de onde moradores acompanhavam as falas.

A fala do ministro foi antecedida pela de representantes de movimentos sociais como de catadores, trabalhadores por aplicativo, juventude, batalha de rimas e cozinha experimental do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), do qual Boulos faz parte.

“O Lula me pediu pra ser um ministro que rode as periferias do Brasil inteiro. Faça o que a gente fez aqui, que é ouvir os trabalhadores e movimentos, mas não só ouvir: trazer solução”, disse ao assumir o microfone.

Boulos lança iniciativa para tentar aproximar governo Lula de periferias
Boulos lança iniciativa para tentar aproximar governo Lula de periferias

Iniciativa lançada por Boulos

Boulos anunciou uma plataforma que chamou de orçamento participativo, na qual a população poderá enviar solicitações ao governo federal para definir prioridades. A expectativa é lançar a página ainda neste ano.

Ele destacou que sua missão será a de estreitar a relação do governo federal com o povo das periferias. Para isso, terá que lidar com o desafio do avanço de outros espectros políticos sob esse eleitorado. Como mostrou a Folha, desde 2012, o PT vem perdendo terreno na periferia de São Paulo, enquanto partidos do centro ganharam votos.

“A esquerda não perdeu conexão com a sociedade, tanto é que ganhou a última eleição com o presidente Lula com votos populares. Ele ganhou com ampla margem entre quem ganha até dois salários mínimos, que é o povo das periferias”, disse Boulos, que defendeu o participação popular como uma visão respaldada na Constituição de 1988, mas rejeitada por governadores da direita. “Eles tem povofobia, medo do povo”, afirmou.

As próximas agendas do ministro nos 26 estados e no Distrito Federal serão definidas após a participação na COP30, no Pará, para onde ele viaja neste domingo (9).

Boulos foi empossado no dia 29 de outubro, assumindo o lugar de Márcio Macêdo. Na ocasião, Boulos criticou a operação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, a mais legal do país, com 121 mortos. Neste sábado, ele voltou a criticar a ação.

“O governador do Rio prefere fazer demagogia com sangue, tratar todo mundo da comunidade como se fosse bandido. Aliás, essa é a mesma visão do governador Tarcísio de Freitas e de muitos governadores bolsonaristas”, disse, citando a operação da Polícia Federal contra o PCC (Primeiro Comando da Capital) como um exemplo de combate ao crime da maneira correta.





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