Por Cleber Lourenço
A Câmara dos Deputados informou ao ministro do STF Flávio Dino que os pedidos de missão oficial internacional do deputado Mario Frias ainda não haviam sido aprovados. A informação contrasta com a versão apresentada publicamente pelo parlamentar nas redes sociais.
Ao responder Dino em uma publicação no X, Frias afirmou: “Prezado ministro Flávio Dino, soube pela imprensa que o senhor gostaria de algumas informações a meu respeito”. Na sequência, alegou que estava em “agenda oficial fora do país” e que retornaria ao Brasil apenas no dia 25 de maio.
Foi justamente após essa postagem que o gabinete de Flávio Dino passou a considerar que o deputado havia tomado ciência formal da intimação do STF. A avaliação no entorno do ministro é de que o prazo de 48 horas para manifestação começou a contar a partir da publicação feita pelo parlamentar.
A resposta encaminhada pela Câmara ao Supremo reforçou a pressão sobre o deputado.
Segundo o ofício enviado ao STF, Frias realizou dois pedidos distintos de missão internacional. O primeiro para o Reino do Bahrein, entre os dias 12 e 18 de maio, com afastamento solicitado de 11 a 19 de maio. O segundo para os Estados Unidos, entre os dias 19 e 21 de maio, com afastamento entre 18 e 22 de maio.
O documento afirma que ambos os pedidos “ainda estão em apreciação”.
A resposta foi enviada após Flávio Dino determinar que a Câmara esclarecesse a situação funcional do deputado e os períodos oficialmente autorizados para as viagens internacionais.
O caso ganhou dimensão política após o STF enfrentar dificuldades para intimar Frias em uma investigação envolvendo emendas destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), entidade ligada à produtora-executiva do filme “Dark Horse”, produção sobre Jair Bolsonaro da qual o deputado também participa como produtor-executivo.
As tentativas de localização do parlamentar se arrastam há mais de um mês. Em uma das diligências, o oficial de Justiça relatou ter sido informado de que Frias não residiria mais no endereço cadastrado havia pelo menos dois anos.
A rota internacional apresentada nos pedidos de viagem também chamou atenção no STF.
O primeiro destino informado foi o Bahrein, país frequentemente associado a estruturas financeiras internacionais e conhecido por operar com baixa tributação e por ser um paraíso fiscal. Depois, Frias seguiu para Dallas, no Texas.
A viagem aos Estados Unidos ocorre em meio às investigações envolvendo o financiamento do filme “Dark Horse”. Reportagens publicadas nos últimos dias apontam que recursos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro teriam sido direcionados para operações ligadas à Eduardo Bolsonaro nos EUA e que atualmente reside no estado do Texas. Em ambas as viagem, ao Bahrein e Dallas, Frias esteve com acompanhado de Eduardo.
O deputado é alvo de uma apuração aberta pelo ministro Flávio Dino sobre a destinação de emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, entidade ligada a Karina Ferreira da Gama, apontada como produtora-executiva do longa.
Embora o deputado tenha bloqueado a nossa reportagem após questionamentos, o espaço segue aberto para manifestação do deputado Mario Frias.



