China inaugura medalha para diplomatas com latinos premiados


Por Mauro Ramos – Brasil de Fato

O Ministério das Relações Exteriores da China inaugurou nesta segunda-feira (18), em Pequim, a entrega da Medalha ao Diplomata Destacado. Nesta primeira cerimônia, a honraria foi concedida a oito diplomatas estrangeiros em reconhecimento às suas contribuições ao fortalecimento da amizade e da cooperação entre a China e seus países. Entre os condecorados estão dois ex-embaixadores latino-americanos: o uruguaio Fernando Lugris e o colombiano Sergio Cabrera Cárdenas.

O chanceler Wang Yi presidiu a cerimônia e fez o discurso de abertura. Wang Yi destacou que a condecoração foi criada especificamente para expressar a gratidão do ministério aos diplomatas que dedicaram esforços à causa da amizade e da cooperação. “Em tempos de grandes desafios, o verdadeiro caráter se revela. Só através da unidade e da cooperação poderemos construir um futuro comum”, afirmou.

Wang Yi classificou os condecorados como “velhos amigos” da China e ressaltou o papel que cada um desempenhou na organização de intercâmbios de alto nível, na promoção de laços entre povos e no fomento ao comércio e ao investimento.

“A China está pronta para unir forças com todas as forças progressistas do mundo, defender o compromisso comum com a paz e o desenvolvimento, avançar na solidariedade global e construir um futuro melhor para a humanidade”, concluiu.

Além dos dois latino-americanos, foram condecorados o russo Andrey Denisov, ex-embaixador na China entre 2013 e 2022; o cambojano Khek Caimealy, que representou seu país em Pequim entre 2007 e 2024; o paquistanês Khalil Hashmi, atual embaixador; o cazaque Shakhrat Nuryshev, também em exercício; o saudita Abdulrahman Alharbi, em funções desde 2022; e o chadenho Allah-Maye Halina, que serviu na China entre 2023 e 2024.

A entrega da Medalha ao Diplomata Destacado se soma um conjunto mais amplo de reconhecimentos que a China concede a estrangeiros em diferentes campos. Em setembro de 2024, a presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento, Dilma Rousseff, recebeu das mãos de Xi Jinping a Medalha da Amizade, a mais alta honraria do Estado chinês, concedida a quem faz contribuições notáveis à modernização socialista da China e ao fortalecimento das relações com outros países.

O que representa a medalha

Para Lugris, o reconhecimento transcende o âmbito pessoal. O ex-embaixador uruguaio, que coordenou durante vários anos as missões diplomáticas da América Latina e do Caribe na China, disse receber a “distinção com muita honra, mas sabendo que não é pessoal, que é uma distinção para o Uruguai, para os uruguaios, para as mulheres uruguaias que trabalham dia a dia para garantir que esta relação, que é tão paradigmática, continue no excelente nível em que se encontra hoje”.

Na recente visita do presidente uruguaio Yamandú Orsi em fevereiro a China, os dois países reafirmaram a parceria estratégica abrangente bilateral e assinaram 19 acordos de cooperação.

Lugris usou o termo “paradigmático” para descrever o vínculo bilateral, ao ressaltar que são dois países geograficamente distantes, assimétricos em tamanho e com sistemas políticos distintos, que construíram uma relação de igual para igual, com economias complementares e intercâmbios em ciência e tecnologia. O ex-embaixador destacou ainda o papel do Uruguai nos fóruns multilaterais, ao presidir o G77 + China (coalização de nações em desenvolvimento), a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e, em breve, o Mercosul, como espaços em que o diálogo com Pequim será determinante.

O colombiano Sergio Cabrera Cárdenas chegou à China aos 13 anos acompanhando a família e cultivou, ao longo de seis décadas, uma relação profunda com o país.

“Cheguei aqui ainda muito jovem e ao longo dos anos fui cultivando a relação com a China, ser embaixador aqui fechou esse círculo”, afirmou o diplomata, que também é cineasta.

A diplomacia chinesa vista pelos condecorados

Tanto Lugris quanto Cabrera Cárdenas foram consultados sobre seu entendimento da diplomacia chinesa e da abordagem de Pequim das relações internacionais.

Para Lugris, a China compartilha com o Uruguai valores centrais, como o respeito ao multilateralismo, a convicção de que o livre comércio é o caminho para economias mais equilibradas, o compromisso com a paz, a segurança internacional e os princípios da Carta das Nações Unidas. “São valores que não são retóricos”, sublinhou.

Cabrera Cárdenas situou sua análise em uma perspectiva histórica de 60 anos. Em seis décadas, afirmou, a China passou de país do chamado terceiro mundo a grande potência mundial, por meio do planejamento. E a diplomacia, destacou, foi um pilar central desse processo.

Para o ex-embaixador colombiano, o traço mais marcante da política externa chinesa é a busca sistemática pelo benefício mútuo. “Na América Latina estamos acostumados a negociar com países que só pensam no próprio benefício. Ter a oportunidade de conhecer um país em que a diplomacia está focada no benefício mútuo é uma grande lição”, pontuou.

Cabrera Cárdenas concluiu afirmando que a China representa um exemplo para o desenvolvimento da região latino-americana e que sua experiência no país reforçou essa convicção.

 





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