Cuba denuncia ameaças e teme escalada militar dos EUA


O governo cubano divulgou nesta quarta-feira (20) uma declaração oficial condenando o que classificou como uma “acusação infame e provocadora” do Departamento de Justiça dos Estados Unidos contra o líder histórico da Revolução Cubana, Raúl Castro.

O comunicado afirma que a medida representa mais um capítulo das tensões históricas entre Havana e Washington e alerta para o risco de agravamento político e militar na região.

Segundo o texto divulgado pelo Governo de Cuba, os Estados Unidos não teriam “legitimidade nem jurisdição” para promover ações judiciais relacionadas ao episódio de fevereiro de 1996, quando aeronaves da organização “Hermanos al Rescate” (“Brothers to the Rescue”, em inglês) foram abatidas após sucessivas violações do espaço aéreo cubano.

A organização, criada em Miami, é conhecida por atuar no resgate de refugiados cubanos no mar.

A nota sustenta que Cuba havia apresentado diversas denúncias formais à FAA, ao Departamento de Estado norte-americano e à Organização da Aviação Civil Internacional sobre as incursões aéreas consideradas hostis entre 1994 e 1996.

O governo cubano argumenta que a resposta militar da época ocorreu dentro do princípio de “legítima defesa”, amparado pela Carta das Nações Unidas e por normas internacionais de soberania aérea.

O episódio provocou forte crise diplomática e levou ao endurecimento do embargo norte-americano através da Lei Helms-Burton, aprovada naquele mesmo ano.

Clima de tensão e temor de agressão

A declaração cubana afirma que a acusação contra Raúl Castro estaria sendo usada por setores anticastristas para justificar um endurecimento das sanções econômicas e ampliar pressões políticas sobre a ilha. O texto também menciona “ameaças de agressão armada”, reforçando um discurso de preocupação com a possibilidade de ações militares dos Estados Unidos contra Cuba.

O governo de Havana relaciona o episódio ao histórico de confrontos entre os dois países desde a Revolução de 1959, incluindo o embargo econômico, tentativas de isolamento político e episódios de confronto indireto durante a Guerra Fria.

Na parte final do comunicado cubano, o governo reafirma seu compromisso com a paz, mas declara que exercerá “o direito inalienável à legítima defesa” caso considere sua soberania ameaçada.

A mensagem termina com palavras tradicionais do discurso revolucionário cubano: “Pátria ou Morte, Venceremos”.





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