Todos sabem que a cara de pau é um dos principais atributos dos políticos bolsonaristas e dos integrantes do Centrão.
Só assim para um sujeito alardear que está ao lado de Deus enquanto dissemina o ódio, se dizer patriota mesmo defendendo que os Estados Unidos dominem o próprio país e se fingir de defensor da família ao mesmo tempo em que aprova lei para dificultar a punição de estupradores de crianças.
Como tudo que é ruim pode piorar, o caradurismo da extrema direita brasileira agora ganhou um novo embalo.
Dois dos principais nomes envolvidos no escândalo do Banco Master, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o presidenciável Flávio Bolsonaro, passaram a acrescentar passos de dança às suas performances em redes sociais. A cara de pau agora ganhou coreografia.
A ideia é simular naturalidade, fingir que não estão nem aí para as investigações da Polícia Federal e seduzir os eleitores, mesmo depois de serem flagrados com a boca na botija.
Pouco antes da publicação da reportagem do site Intercept que revelou ao Brasil um áudio em que Flávio cobrava de Vorcaro R$ 134 milhões, sob pretexto de produzir o filme sobre a história recente de seu pai, o senador negou que o banqueiro picareta tivesse injetado grana na produção. Foi desmentido em poucas horas.
Logo arranjou uma nova versão, que também foi desmentida. Mas, como manda o manual de marketing do bolsonarismo, seguiu em frente fingindo que nada tinha acontecido.
Agora, para mostrar-se ainda mais despreocupado, além do sorriso falso que pregou no rosto, Flávio apresenta nos eventos de pré-campanha pelo país uma lamentável dancinha funk, em que evolui nos palcos, completamente desengonçado.
A claque aplaude, obviamente.
No fim de semana, foi a vez de Ciro Nogueira mexer os quadris – ou quase isso.
Cara de pau no nível mais alto, Ciro não pareceu se preocupar com a acusação da PF de que Vorcaro pagava a ele uma mesada polpuda – entre R$ 300 mil e R$ 500 mil. Nem ligou para todas as evidências de que teve viagens, mordomias e negócios bancados pelo banqueiro.
Tanto que foi parar na paradisíaca ilha de Ibiza, na Espanha, curtindo a vida adoidado.
Ciro, é bom lembrar, foi aquele que garantiu que renunciaria ao mandato de senador se surgisse contra ele alguma prova de envolvimento ilícito com Vorcaro.
O senador piauiense não só não renunciou, como faz questão de aparentar que está com a consciência leve. Para essa encenação também recorreu a coreografias. Mais precisamente às dancinhas que jogadores costumam fazer após marcarem gols. O vídeo constrangedor foi postado no Instagram.
Há outros políticos cara de pau na lista de favores deo Banco Master, como tem mostrado a PF. A relação eclética vai do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao líder do governo no Senado, Jaques Vagner (PT-BA).
Estes também são bastante cínicos, como se vê pelas desculpas esfarrapadas que deram para justificar a parceria com Vorcaro e Augusto Lima.
Mas não chegam ao ponto de sacudir o esqueleto para tentar despistar.
Por enquanto, só Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro estão no passinho do Vorcaro.
Ninguém se surpreenda se um hit com esse tema chegar às plataformas de streaming.



