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Com frio e crianças pequenas, famílias estão há dias na rua após interdição na Avenida 9 de Julho


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Por Catarina Duarte – Ponte Jornalismo

Famílias com crianças que vivem em uma ocupação na Avenida 9 de Julho, no centro de São Paulo, buscam desde segunda-feira (30/6) uma solução habitacional. Após um incêndio atingir uma das unidades, cerca de 150 pessoas foram impedidas de retornar à moradia onde viviam há oito anos.

A ocupação fica na altura do número 396 da Avenida 9 de Julho. O local não é a ocupação de mesmo nome vinculada ao Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC). Em nota, o grupo liderado por Carmen Silva informou que tem prestado apoio aos moradores com a distribuição de comida e água.

O ajudante-geral Gabriel Sousa Santos, de 28 anos, conta que os próprios moradores atuaram para apagar o incêndio com baldes e extintores. O Corpo de Bombeiros foi acionado e extinguiu as chamas. Durante o atendimento, a corporação pediu que os moradores deixassem o prédio para evitar riscos à saúde com a inalação de fumaça — o que foi atendido.

O que os moradores não esperavam era que, após o controle do incêndio, não poderiam mais acessar suas casas. “Eles meteram a faixa, trancou, meteu um monte de viatura e não deixou a gente entrar mais”, diz Gabriel.

Em nota enviada à Ponte, a prefeitura de São Paulo, sob gestão de Ricardo Nunes (MDB), informou que interditou o local “por representar risco”. A administração também afirmou que a Guarda Civil Metropolitana será responsável por preservar o imóvel até que todas as famílias retirem seus pertences (veja a íntegra da nota abaixo).

Crianças e idosos ao relento

Desde então, os moradores montaram um acampamento improvisado com barracas embaixo do viaduto. O grupo, formado também por crianças e idosos, está dormindo na rua em meio a baixas temperaturas na capital. Na terça-feira (1º/7), por exemplo, São Paulo registrou a tarde mais fria do ano, com termômetros marcando 12ºC.

“Estamos na calçada há quatro dias. Nós pagamos água, luz, paga convênio, tudo certo. O que está acontecendo com a gente é injustiça”, desabafa Gabriel.

“É frio, é chuva. Nós recebemos doações, só que o que nós queremos é a nossa moradia de volta porque não tem condição de ficar na rua, dormindo na rua com criança pequena, de sete meses, um ano. Nós queremos a nossa moradia.”, relatou outra moradora.

A prefeitura afirma que, logo após a interdição, ofereceu aos moradores hospedagem em um hotel social localizado na Penha, proposta que teria sido recusada pelas famílias. Disse ainda ter sugerido outras medidas, como transporte escolar, deslocamento dos adultos até o trabalho e cartões emergenciais no valor de R$ 1 mil — também rejeitadas.

Segundo a gestão municipal, o cadastramento nos programas habitacionais da cidade igualmente foi recusado. A Ponte questionou os moradores sobre os motivos da recusa, mas não obteve retorno.

Sem explicação, sem alternativa

Moradores afirmam que não foi apresentada nenhuma justificativa clara para a interdição do imóvel. Além dos bombeiros, agentes da Defesa Civil, representantes da prefeitura e guardas civis metropolitanos armados, com escudos e cachorros, estiveram no local.

As famílias também cobram uma solução definitiva de moradia. “A gente está reivindicando para morar em um prédio. Ou eles deixam a gente voltar para o nosso local e faz um acordo para as famílias ficar lá um uns meses e se estabilizar, porque tem muita criança. Ou eles dão um prédio para gente poder entrar para dentro. Tem vários vazios. Nós só queremos um local, uma moradia”, afirmou à Ponte uma moradora, sob anonimato.

Repressão durante protesto

Ainda na segunda-feira (30), após a interdição, moradores realizaram um protesto na própria Avenida 9 de Julho. O grupo estendeu faixas pedindo ajuda e, segundo relatos, foi reprimido com gás de efeito moral pela Polícia Militar, mesmo com a presença de crianças.

Em nota enviada à Ponte, a SSP-SP informou que a PM acompanhou a manifestação, mas não confirmou nenhuma ação repressiva. “A Corregedoria da Polícia Militar está à disposição para formalizar a apurar toda e qualquer denúncia contra os PMs”, disse a pasta.

O que dizem as autoridades

A Ponte procurou a Prefeitura de São Paulo e a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP).

Leia integra da prefeitura

A Prefeitura de São Paulo informa que o local foi interditado por representar risco. Logo após o ocorrido, foi ofertado encaminhamento das 26 famílias para um hotel social, situado na Penha. O grupo recusou. Também foi oferecido transporte para levar e buscar os adultos até o local de trabalho e as crianças para a escola. O grupo também recusou. Além disso, foram disponibilizados cartões emergenciais no valor de R$ 1.000,00. Novamente, as famílias recusaram. Foi ainda oferecido cadastramento nos programas habitacionais do município.  Nova recusa. Como medidas emergenciais, são ofertados diariamente café da manhã, almoço e jantar e a Operação Baixas Temperaturas (OBT) foi intensificada no local, com distribuição de sopas, cobertores, chás e chocolate quente. A Guarda Civil Metropolitana fará a preservação do local até que as famílias realizem a retirada completa dos pertences.

Leia a íntegra da nota da SSP-SP:

A Polícia Militar foi acionada para acompanhar uma manifestação na noite desta segunda-feira (30), na Avenida Nove de Julho, região central da capital. Moradores de uma ocupação protestavam reivindicando moradia após o local ser interditado pela Defesa Civil por conta de um incêndio. O incêndio foi registrado junto ao 2° DP (Bom Retiro), que requisitou perícia e apura as causas. A Corregedoria da Polícia Militar está à disposição para formalizar e apurar toda e qualquer denúncia contra os PMs.





Fonte: ICL Notícias

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