A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tentar uma ligação direta ao presidente Donald Trump tinha um objetivo: neutralizar a influência do secretário de Estado, Marco Rubio, e da base mais reacionária dentro do governo norte-americano. A meta era ainda causar um curto circuito na capacidade dos bolsonaristas de influenciar a Casa Branca, principalmente num momento crítico da eleição.
Durante a ligação de uma hora e 20 minutos, Lula teria dito a Trump que a relação entre os dois não precisa passar por “intermediários”. O recado era claro: decisões sobre comércio, crime organizado ou qualquer outro tema poderiam ser debatidos entre os dois chefes de estado, e não com atores outros.
A avaliação do governo brasileiro é de que sempre que Trump foi informado ou influenciado por Rubio ou pelos bolsonaristas, o resultado foi negativo para a relação bilateral.
Lula, de fato, já criticou abertamente Rubio por agir contra o Brasil. No final de 2025, quando Trump sinalizou uma aproximação em relação ao presidente brasileiro, a reação do chefe do Departamento de Estado foi negativa.
Com a ligação, a esperança é de que, faltando poucas semanas para a eleição, a força do grupo de Rubio e de Flávio Bolsonaro possam ser, em parte, confrontada.
Mesmo assim, o Palácio do Planalto admite que a ingerência no Brasil por parte dos EUA é real e que se espera, para os próximos meses, uma intensificação da pressão.
Na conversa desta sexta-feira, Lula voltou a argumentar contra as tarifas impostas contra o Brasil e insistiu sobre o impacto negativo que a classificação do PCC e do CV como terroristas terá para a cooperação bilateral.
Lula, como já havia feito com Xi Jinping e Vladimir Putin, usou a ligação para falar sobre o cenário internacional. Ele indicou ao americano que um grande líder não é quem começa uma guerra, mas que encerra os conflitos.





