Entre janeiro e outubro de 2025, as contas externas brasileiras registraram déficit de US$ 62,07 bilhões, alta de 21% em relação ao mesmo período de 2024, segundo dados do Banco Central (BC) divulgados nesta terça-feira (25). O saldo negativo das transações correntes, que incluem balança comercial, serviços e renda primária, equivale a 3,48% do PIB (Produto Interno Bruto) no acumulado de 12 meses.
O aumento do déficit está associado ao crescimento econômico, que eleva a demanda por produtos e serviços importados. A balança comercial de bens manteve superávit de US$ 45,6 bilhões, inferior ao registrado no ano passado (US$ 55,6 bilhões). Já o déficit com serviços e renda primária aumentou ligeiramente, refletindo, principalmente, gastos de brasileiros no exterior e remessas de lucros e dividendos para o exterior.

Investimento estrangeiro “financia” rombo
No mesmo período, o Brasil recebeu US$ 74,3 bilhões em investimentos estrangeiros diretos (IED), acima dos US$ 68,3 bilhões registrados em 2024. Somente em outubro, o saldo de IED foi de US$ 10,9 bilhões, superando em mais de 60% o valor de outubro do ano passado (US$ 6,7 bilhões).
De acordo com especialistas, o volume de investimentos estrangeiros tem sido suficiente para “financiar” o déficit das contas externas, garantindo estabilidade para o setor externo e sinalizando confiança dos investidores internacionais na economia brasileira.
Gastos de brasileiros no exterior
Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 18,1 bilhões nos dez primeiros meses do ano, maior valor desde 2014 para o período. Em outubro, as despesas alcançaram US$ 1,91 bilhão, também recorde para o mês desde 2014.
Apesar do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre o câmbio, que encareceu a compra de moeda estrangeira, a queda do dólar (12,7% no acumulado do ano) ajudou a amenizar o impacto desses gastos.
Sinais positivos no curto prazo
O déficit mensal das contas externas apresentou melhora em outubro, totalizando US$ 5,12 bilhões, contra US$ 7,38 bilhões em outubro de 2024. A balança comercial de bens também registrou alta no mês, com superávit de US$ 6,17 bilhões, crescimento de US$ 2,98 bilhões em relação ao mesmo período do ano passado.
Segundo analistas, a combinação de superávit comercial, investimentos estrangeiros robustos e câmbio favorável contribui para manter a estabilidade das contas externas, mesmo diante do crescimento do déficit no acumulado do ano.
Principais aspectos das contas externas
Déficit em transações correntes
- Acumulado de janeiro a outubro de 2025: US$ 62,07 bilhões, alta de 21% em relação ao mesmo período de 2024 (US$ 51,51 bilhões).
- Para o ano de 2025, o Banco Central estimou um déficit de US$ 70 bilhões.
- O déficit das transações correntes equivale a 3,48% do PIB nos últimos 12 meses (acumulado até outubro).
Componentes do déficit
- Balança comercial de bens: superávit de US$ 45,6 bilhões no período de janeiro a outubro, menor que o superávit de 2024 (US$ 55,6 bilhões). Em outubro, o superávit foi de US$ 6,17 bilhões, alta de US$ 2,98 bilhões em relação ao mesmo mês do ano passado.
- Serviços: déficit estável em torno de US$ 4,37 bilhões em outubro, refletindo gastos de brasileiros no exterior.
- Renda primária: remessas de juros, lucros e dividendos registraram déficit de US$ 7,429 bilhões em outubro, ligeiramente acima do mesmo mês de 2024.
Gastos de brasileiros no exterior
- Janeiro a outubro: US$ 18,1 bilhões, maior valor para o período desde 2014.
- Outubro: US$ 1,91 bilhão, maior valor para meses de outubro desde 2014.
- Apesar do aumento do IOF para remessas e câmbio (de 1,1% para 3,5%), os gastos permaneceram altos, parcialmente mitigados pela queda do dólar (12,7% no acumulado do ano).
Investimento estrangeiro direto (IED)
- Janeiro a outubro: US$ 74,3 bilhões, alta em relação a 2024 (US$ 68,3 bilhões).
- Outubro: US$ 10,9 bilhões, acima dos US$ 6,7 bilhões de outubro de 2024.
- Os investimentos estrangeiros foram suficientes para cobrir o déficit das contas externas, garantindo financiamento estável para o setor externo.
Evolução mensal
- Déficit de outubro de 2025: US$ 5,12 bilhões, menor que o déficit de outubro de 2024 (US$ 7,38 bilhões), indicando melhora pontual no mês.
Contexto econômico
- O aumento do déficit é parcialmente explicado pelo crescimento econômico, que eleva a demanda por produtos e serviços importados.
- Mesmo com desaceleração, a economia brasileira continua crescendo, apesar da alta taxa de juros (15% ao ano).




