A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) publicaram notas de repúdio aos ataques misóginos promovidos pelo influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo contra a jornalista Natália Viana, da Agência Pública. As duas instituições manifestaram solidariedade à jornalista e defenderam a responsabilização pelos ataques feitos nas redes sociais.
O influenciador vem divulgado o nome e a imagem da jornalista de forma negativa, além de incitar seus seguidores a fazerem o mesmo. A campanha online de difamação foi compartilhada e apoiada pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que perdeu o cargo em dezembro de 2025 ao ser cassado por excesso de faltas no Congresso Nacional.
“A Abraji manifesta sua solidariedade a Natália Viana e à Agência Pública ante esses ataques e seu apoio ao trabalho de jornalismo investigativo de interesse público, que se torna ainda mais essencial em períodos eleitorais como o que atravessa o Brasil neste momento. E reforça seu apelo para a responsabilização das práticas do influenciador bolsonarista que já se mostram uma forma sistemática de tentar calar a imprensa tendo como alvo preferencial as mulheres jornalistas. A Abraji repudia veementemente o episódio e lamenta que mais jornalistas se tornem vítimas desta prática”, publicou a instituição.
A ABI, por meio da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e dos Direitos Humanos, também declarou apoio a Natália e repudiou “terminantemente essas publicações”. A entidade exigiu a retirada imediata dos conteúdos das redes sociais e a responsabilização criminal de Figueiredo e do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que também compartilhou e apoiou os ataques.

O que aconteceu
Os ataques começaram depois que Natália entrou em contato com Figueiredo para apurar as doações feitas por ele a uma deputada norte-americana e o estilo de vida que o influenciador e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro levam nos Estados Unidos. A segunda reportagem foi produzida em parceria com a repórter Alice Maciel, do ICL Notícias.
As reportagens foram publicadas e, em seguida, Figueiredo iniciou uma ofensiva contra a jornalista. Entre mensagens agressivas e ofensas misóginas, o influenciador passou a atacar a profissional e a expor suas informações pessoais nas redes sociais.
Desde as primeiras publicações, em 20 de agosto, a ofensiva reproduz um padrão conhecido de violência contra jornalistas: diante de uma informação que desagrada, o alvo passa a ser quem a divulga. A estratégia é atacar a credibilidade do mensageiro para tentar deslegitimar a mensagem.
Segundo a Abraji, esse tipo de ofensiva “também age diretamente para deteriorar a já precária segurança no ambiente digital ao qual as mulheres brasileiras estão sujeitas diariamente”, assumindo contornos misóginos. Pela gravidade, as ofensas dirigidas à profissional não serão reproduzidas nesta reportagem.
A ofensiva transforma ataques pessoais e de gênero contra jornalistas em instrumento de mobilização e engajamento nas redes sociais. Além de tentar deslegitimar o trabalho jornalístico, esse tipo de prática contribui para tornar ainda mais hostil o ambiente digital para mulheres que ocupam espaços públicos e profissionais.





