Esposa cria vaquinha após brasileiro ser preso por agentes de imigração nos EUA


A esposa do brasileiro Matheus Silveira, 30 anos, preso há dois meses nos Estados Unidos após ser detido por agentes de imigração durante uma entrevista para obtenção do green card, criou uma vaquinha solidária para arrecadar recursos e viabilizar a reconstrução da vida do casal fora do país, após a liberação dele.

Organizada por Hannah Silveira, advogada e ex-médica do Exército norte-americano, a iniciativa tem como meta US$ 45 mil — cerca de R$ 238 mil, na cotação atual — destinados a cobrir custos legais, passagens aéreas, mudança de pertences e despesas básicas em um novo país.

Na descrição da campanha, Hannah afirma que o casal foi surpreendido por uma reviravolta traumática em um processo que deveria representar estabilidade e segurança.

Segundo a americana, os recursos são essenciais para enfrentar as consequências financeiras e emocionais da prisão, além de permitir que ambos recomecem a vida longe dos Estados Unidos.

Em entrevista ao portal G1, a família afirmou estar vivendo “um pesadelo” ao acompanhar à distância a situação do brasileiro sob custódia do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE).

Até o momento, o casal já arrecadou cerca de 5% da meta estabelecida, o equivalente a US$ 2.201 – em torno de R$11.600,00.

Incerteza sobre o futuro

Na página da vaquinha, Hannah explica que as economias do casal foram consumidas por honorários advocatícios e taxas do processo migratório, o que os levou a depender de ajuda financeira de familiares para arcar com as despesas jurídicas. “Nossas economias se esgotaram e temos dependido da generosidade da família para atravessar essa transição”, escreveu.

Ela afirma que pedir ajuda não é fácil, mas ressalta que as contribuições são essenciais para custear os gastos imediatos e garantir a subsistência do casal até que consigam se reestabelecer financeiramente.

Embora a campanha não detalhe o destino após a liberação de Matheus, Hannah afirmou à revista Newsweek que o plano é recomeçar a vida no Rio de Janeiro, cidade natal dele. Antes da prisão, o casal planejava se mudar para Minneapolis, onde pretendia comprar uma casa e abrir um negócio.

O caso de Matheus tem gerado repercussão entre comunidades de imigrantes e especialistas no assunto, que alertam para o impacto de prisões ocorridas durante processos formais de regularização.

Para organizações de defesa dos direitos de migrantes, situações como essa aumentam o medo e a desconfiança em relação aos próprios canais legais oferecidos pelo governo norte-americano.

Relembre o caso

Matheus Silveira foi detido no dia 24 de novembro de 2025 em um escritório do Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos (USCIS), em San Diego, na Califórnia, durante uma entrevista para obtenção do green card.

A entrevista representava a etapa final do processo de concessão da residência permanente e tinha como objetivo comprovar a veracidade da união do casal, que já estavam casados legalmente a cerca de um ano e meio.

Aparentemente, o pedido do documento seria atendido, porém, em determinado momento da entrevista, um policial informou que havia “pessoas no corredor” que gostariam de conversar com o casal e com o advogado.

Na sequência, quatro agentes do ICE entraram no local e efetuaram a prisão de Matheus, alegando irregularidades no status migratório do brasileiro, que foi algemado e levado sob custódia.

Desde então, o entregador permanece detido enquanto a família tenta esclarecer os motivos da manutenção da prisão e viabilizar sua liberação.

O visto anterior de Matheus havia expirado durante a pandemia, período em que ele permaneceu no país enquanto tentava regularizar sua situação.





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