EUA veem tarifas elevadas no Brasil e reclamam de incerteza para exportadores americanos – Economia – CartaCapital



O governo de Donald Trump divulgou nesta segunda-feira 31 um relatório no qual afirma que o Brasil impõe tarifas de importação relativamente elevadas a uma ampla gama de setores.

O documento do Escritório do Representante de Comércio dos EUA, o USTR, vem à tona dois dias antes de entrar em vigor o que o republicano chama de “tarifas recíprocas” contra parceiros comerciais.

O USTR alega haver falta de previsibilidade sobre os níveis das tarifas fixadas pelo Brasil, o que “torna difícil para os exportadores americanos preverem os custos de fazer negócios” com o País.

O documento tem 397 páginas, seis delas dedicadas ao Brasil. Trata-se de um resumo das práticas tarifárias de diversos países com os quais os norte-americanos fazem negócios.

Segundo o relatório, a tarifa média aplicada pelo Brasil sobre produtos importados foi de 11,2% em 2023.

As taxas consolidadas do Brasil são frequentemente muito mais altas do que suas taxas aplicadas, e os exportadores dos EUA enfrentam incertezas significativas no mercado brasileiro porque o governo frequentemente modifica as taxas tarifárias dentro das flexibilidades do Mercosul.”

Os norte-americanos criticam com destaque o caso do etanol e consideram desproporcional uma tarifa de 18% sobre o produto dos Estados Unidos. É um dos principais exemplos utilizados pelo governo Trump ao alegar um suposto tratamento injusto por parte do Brasil.

Em 2024, o Brasil arrecadou mais de 203 milhões de dólares com a exportação de etanol para os Estados Unidos, enquanto gastou aproximadamente 52 milhões de dólares importando o biocombustível norte-americano. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Foram mais de 313 mil metros cúbicos de etanol despachados para os Estados Unidos, ante cerca de 110 mil importados.

Enquanto isso, Trump se prepara para anunciar, na quarta-feira 2, tarifas alfandegárias recíprocas que mudarão as regras do jogo do comércio mundial.

“Começaria com todos os países, então vamos ver o que acontece”, disse o magnata, no domingo 30, a jornalistas. Ao ser questionado sobre quais seriam impactados, ele disse que não sabia se serão “10 ou 15” e garantiu que “não há um limite”.

Além das tarifas alfandegárias, como no caso da China ou da Índia, o presidente também se preocupa com barreiras regulatórias, especialmente o imposto sobre valor agregado que os países europeus aplicam a muitos produtos.

Inicialmente, Trump não previa isenção ou exceção, mas parece ter suavizado sua posição. Na quarta-feira 26, ele afirmou que as tarifas recíprocas poderiam ser “mais brandas”, embora afetem “todos os países”.

O Laboratório Orçamentário da Universidade de Yale estima um aumento de 5% para o Canadá, 16% para o México, 17% para a Índia, cerca de 19% para França e Alemanha e 13% para a China, um país já altamente penalizado.

(Com informações da AFP)



Por: Carta Capital

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