O governo federal autorizou nesta quinta-feira (14), por meio de portaria publicada no Diário Oficial da União, que os Correios passem a comercializar serviços financeiros e produtos ligados ao mercado de seguros e capitalização. A medida faz parte da estratégia da equipe econômica para ampliar as fontes de receita da estatal, que enfrenta uma das maiores crises financeiras de sua história recente.
Com a nova autorização, os Correios poderão atuar na venda ou intermediação de seguros de automóveis, vida, residência e viagens, além de bônus promocionais, cupons, vale-benefícios, consórcios, certificados, aplicações financeiras, operações de crédito e títulos de capitalização.
A proposta do governo é que a estatal utilize sua capilaridade nacional para firmar convênios com bancos, seguradoras e outras instituições financeiras, oferecendo os serviços em agências espalhadas pelo país.
Diversificação para enfrentar déficit
A abertura para novos negócios ocorre em meio ao agravamento das contas da empresa. Os Correios registraram prejuízo de R$ 8,5 bilhões em 2025, acumulando 14 trimestres consecutivos de resultados negativos. O rombo representa mais de três vezes o déficit contabilizado em 2024, quando a estatal fechou o ano com perdas de R$ 2,6 bilhões.
Diante desse cenário, o governo busca alternativas para reduzir a dependência da atividade postal tradicional, pressionada pela queda no volume de correspondências e pelo aumento da concorrência no setor logístico.
A avaliação da equipe econômica é que a ampla rede física dos Correios pode ser usada como plataforma para serviços adicionais, especialmente em cidades onde a presença bancária é limitada.
Entrada no mercado de telefonia
Além dos serviços financeiros, a portaria também autoriza os Correios a atuar no mercado de telefonia celular por meio de parcerias comerciais, no modelo de operadora virtual (MVNO). Nesse formato, a empresa poderá oferecer planos e serviços utilizando a infraestrutura de operadoras já existentes, conforme regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
O governo afirmou que a implementação das novas atividades dependerá de estudos prévios de viabilidade econômica e financeira. Segundo o texto da portaria, os projetos deverão seguir critérios de mercado capazes de garantir retorno sobre investimentos e sustentabilidade para a estatal.
Possível aporte do governo
A deterioração financeira dos Correios já levou o governo a admitir a necessidade de apoio direto à empresa. Em março, a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, afirmou que a União deverá realizar um aporte de capital na estatal em 2027.
Segundo a ministra, a medida está prevista no contrato de empréstimo de R$ 12 bilhões firmado pelos Correios com um consórcio de bancos em dezembro de 2025. O aporte significaria uma transferência de recursos do Tesouro Nacional para reforçar o caixa da empresa.
A aposta do governo é que a ampliação da atuação comercial dos Correios ajude a reduzir a pressão financeira da estatal nos próximos anos, embora especialistas avaliem que os novos negócios dificilmente terão impacto imediato suficiente para reverter o quadro de déficits acumulados.



