As contas do governo central — que reúnem Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social — registraram superávit primário de R$ 25 bilhões em abril, segundo dados divulgados pelo Tesouro Nacional divulgados nesta quinta-feira (28). O resultado representa alta de 38,5% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando o saldo positivo foi de R$ 18,1 bilhões.
O desempenho de abril é o segundo melhor para o mês desde o início da série histórica, em 1997, ficando atrás apenas de 2022, quando o superávit alcançou R$ 28,9 bilhões.
No acumulado de janeiro a abril, o governo central soma superávit de R$ 8,67 bilhões. O resultado representa uma queda de 88,1% em relação ao superávit observado no mesmo período do ano anterior.
A redução indica uma mudança relevante na dinâmica fiscal no início de 2026, com perda de fôlego do resultado primário ao longo dos primeiros meses do ano.
Despesas crescem mais que receitas
Em termos reais, a receita líquida do governo central aumentou R$ 38,6 bilhões, alta de 4,6% no período. No entanto, esse avanço foi superado pelo crescimento das despesas totais, que subiram R$ 107 bilhões, uma expansão de 14,2% na comparação com o primeiro quadrimestre de 2025.
O descompasso entre receitas e gastos ajuda a explicar a forte redução do superávit acumulado no período.
As contas ficaram divididas da seguinte forma:
- Tesouro Nacional: superávit de R$ 51 bilhões;
- Previdência Social: déficit de R$ 32,6 bilhões; e
- Banco Central: resultado negativo de R$ 263 milhões.
O desempenho dos diferentes componentes evidencia a heterogeneidade das contas públicas e a dependência do resultado do Tesouro para sustentar o saldo positivo do governo central.
Meta fiscal segue no radar
O resultado das contas públicas é determinante para o cumprimento da meta fiscal de 2026, que prevê superávit primário de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) — equivalente a R$ 73,2 bilhões.
A meta conta com margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos, o que permite um intervalo entre R$ 36,6 bilhões e R$ 109,8 bilhões.
Apesar do superávit em abril, o resultado acumulado do ano ainda indica desafio para manter o ritmo necessário ao cumprimento da meta ao longo do restante do exercício.



