Governo dos EUA classifica como terroristas grupos antifascistas que pedem soberania digital


O Departamento de Estado americano designou como terroristas, nesta quarta-feira (26), grupos antifascistas, como o Autistici, da Itália, o Palestine Action e o Masar Badil. Eles serão alvos de sanções e não poderão ter relações ou realizar transações com indivíduos ou empresas dos Estados Unidos.

O Autistici garante infraestrutura de internet para movimentos sociais e indivíduos que querem se comunicar, manter contas de email e produzir blogs sem depender das big techs dos Estados Unidos. O curioso é que o Autistici tem princípios claros e rígidos para dar apoio aos movimentos sociais. Eles precisam trabalhar com base na solidariedade, no respeito mútuo, respeitando direitos iguais e liberdade, além da justiça social.

O professor e sociólogo Sergio Amadeu denunciou a medida do governo de Donald Trump durante o lançamento do Decálogo para a Soberania Digital, em reunião remota que contou com a presença de ativistas, representantes de movimentos sociais e candidatos à eleição este ano. Entre os políticos presentes, se comprometeram em defender a soberania digital o ex-ministro José Dirceu, candidato a deputado federal pelo PT de São Paulo, Eduardo Suplicy que disputa uma vaga de deputado estadual, também pelo PT, e a deputada Natalia Bonavides (PT-RN), candidata à reeleição.

Dirceu se comprometeu a criar uma frente parlamentar pela soberania digital, caso seja eleito em outubro. Natalia Bonavides falou da preocupação com a instalação de data centers no Brasil, como já acontece no Nordeste, que consomem grandes quantidades de água e energia, prejudicando o consumo das cidades onde se instalam. No Congresso, a Medida Provisória do Redata ganhou impulso essa semana e pode ser votado, em regime de urgência, no Senado. Ele já foi aprovado na câmara dos deputados, sem levar em conta as críticas que grupos como a rede pela soberania digital têm com relação ao projeto.

Os alvos dos EUA

Além da Autistici, foram classificadas como terroristas ou apoiadores de terroristas, o grupo Palestine Action e a organização Masar Badil. No Brasil, a Rede pela Soberania Digital usa a infraestrutura da Autistici para sua comunicação digital, disse o sociólogo e professor Sergio Amadeu, um dos representantes da rede.

“A extrema direita norte-americana quer conter o avanço dos coletivos e da luta antifascita”, disse ao ICL Notícias Sergio Amadeu. “A medida do governo Trump visa intimidar a luta em defesa dos direitos humanos, da liberdade e da soberania digital. Definitivamente, os Estados Unidos assumiram sua condição de país submetido ao tenocfascismo. Os Estados Unidos são, na realidade, quem pratica o terrorismo de Estado quando protegem o genocídio na Faixa de Gaza, agridem o Tribunal Penal Internacional e ameaçam invadir países democráticos”, afirmou.

O grupo Palestine Action é uma rede britânica, criada em 2020, que tem como objetivo acabar com a participação mundial no genocídio promovido por Israel contra o povo palestino. A organização já tinha sido designada como terrorista, pelo governo britânico e promove intervenções diretas nas exportações de armas para Israel. O grupo luta contra a violência e pelos direitos humanos.

Masar Badil, ou Movimento do Caminho Revolucionário Palestino, é um coletivo de ativistas palestinos que vivem em diferentes países. Nasceu em outubro de 2021. Por estarem fora do território palestino, os ativistas têm mais liberdade de movimento e ação. Por isso, se organizaram para influenciar diferentes grupos e governos em prol da causa palestina.

Em nota sobre a medida adotada agora, o secretário do tesouro dos EUA, Scott Bessent, deixou claro que a intenção do governo é perseguir grupos de esquerda. “Extremistas da esquerda, suas fontes e aqueles que os apoiam devem estar avisados: utilizaremos todas as nossas ferramentas econômicas para evitar que o terrorismo político tenha lugar em nossa sociedade. Vamos continuar a cortar o suporte financeiro desses grupos até que sejam eliminados”, diz a nota de Bessent.

O Decálogo

A reunião remota apresentou os 10 pontos que a Rede Pela Soberania Digital defende e quer ver levados adiante no Congresso Nacional. Por isso, foram convidados candidatos para apresentar o decálogo e firmar com eles o compromisso de que defenderão o programa.

Entre os pontos centrais estão o uso da tecnologia a serviço da vida e da democracia, a afirmação de que a conectividade é um direito de todos, a defesa de insfraestruturas públicas e comunitárias, além da reivindicação de que toda tecnologia desenvolvida com dinheiro público adote licenças livres e padrões abertos. A rede também defende a soberania e a governança democráticas dos dados dos cidadãos brasileiros e o controle democrático dos algoritmos das plataformas digitais.





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