Greve nacional de professores na Argentina exige salários dignos


Por Telesur

Uma greve nacional de professores teve início nesta segunda-feira (3), na Argentina, convocada pela Confederação dos Trabalhadores da Educação (Ctera) para os níveis de educação infantil, fundamental e médio, após a “recusa permanente” do governo de Javier Milei em estabelecer uma mesa de diálogo e enfrentar uma nova negociação salarial.

Segundo o anúncio da Ctera e de vários sindicatos, a paralisação, que inicialmente terá duração de 24 horas, também busca reivindicar outras demandas, como a devolução “imediata” do Fundo de Incentivo aos Professores (Fonid) e um orçamento maior para instalações e programas escolares.

“Os salários dos professores continuam a perder poder de compra, o Fonid e os fundos nacionais para a educação permanecem sem repasse, e iniciativas que visam cortar direitos trabalhistas, pensões e o direito social à educação estão avançando”, argumentaram os sindicatos em uma declaração conjunta.

A reivindicação por aumentos salariais e financiamento “urgente” decorre da “deterioração” dos salários, que estão abaixo da inflação, e da falta de verbas para escolas e refeitórios. Além disso, os professores solicitaram a promulgação de uma nova Lei de Financiamento da Educação e rejeitaram a proposta de Lei da Liberdade Educacional e quaisquer reformas previdenciárias potenciais, em “defesa do sistema previdenciário público, solidário e de repartição”.

A medida coincide com o retorno às aulas previsto na cidade e província de Buenos Aires, Chaco e Santiago del Estero, embora afete todo o país. Apesar de afetar principalmente as escolas públicas, algumas escolas particulares também aderirão, dependendo das decisões de cada instituição ou tomadas pelos professores e sindicatos do setor, como o Sindicato dos Professores de Escolas Particulares da Argentina (Sadop).

Entretanto, a Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) também convocou uma greve nacional para a mesma data, o que limitará o funcionamento normal de vários órgãos públicos provinciais e nacionais.

Quem para

A greve afetará professores e funcionários de apoio da rede pública em todo o país, membros da Ctera e sindicatos filiados; trabalhadores da educação na província de Buenos Aires, onde sindicatos como Suteba, FEB, Udocba e Amet confirmaram sua participação, e professores universitários, com a participação de sindicatos como a Conadu Histórica.

Na província de Buenos Aires, grupos dissidentes como o Multicolor do Sindicato Unificado dos Trabalhadores da Educação de Buenos Aires (Suteba) ou a Associação de Professores de Buenos Aires propuseram estender as medidas em dias de protesto para até 48 horas, de modo a incluir também a terça-feira (4).

“Professores de todo o país estão em greve e se mobilizando para enfrentar e derrotar a ofensiva antieducacional do governo de direita de Milei e as medidas de austeridade de todos os governadores, sem exceção, que mergulharam a Educação Pública em estado de emergência absoluta”, declararam professores do movimento Multicolor na província de Buenos Aires.

Deterioração das condições de vida

A greve ocorre em meio à crescente agitação social na Argentina, onde as medidas de austeridade implementadas pelo governo de Javier Milei levaram a uma profunda deterioração das condições de vida da classe trabalhadora. A perda do poder de compra, a falta de financiamento para o sistema educacional e o avanço de reformas que reduzem os direitos trabalhistas e previdenciários são algumas das manifestações mais visíveis desse processo.

Os sindicatos de professores alertam que defender a educação pública é também defender o direito social à educação e um sistema previdenciário solidário. Nesse contexto, são esperadas manifestações e protestos em diversas partes do país, em um dia que buscará destacar a reivindicação por salários dignos e por verbas educacionais que atendam às necessidades das escolas argentinas.

O dia da luta representa um novo capítulo na resistência do movimento dos professores e dos trabalhadores do Estado contra as políticas de austeridade, num cenário em que a organização popular se apresenta como a principal ferramenta para deter a ofensiva do governo e defender os direitos conquistados ao longo de anos de luta.





ICL – Notícias

STF amplia isenção para carros a pessoas com deficiência e níveis baixos de autismo

Por Isadora Albernaz (Folhapress) – O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu nesta segunda-feira...

Airbnb inicia remoção de 1,6 mil anúncios de hospedagem em habitação popular em SP

Por Priscila Mengue (Folhapress) – O Airbnb iniciou nesta segunda-feira (3) a remoção de 1.625...

Trabalhadores das linhas 11, 12 e 13 dos trens em São Paulo iniciam g

A assembleia dos trabalhadores...

Amazonas Repórter

Tudo

Belo Horizonte terá treinamento de autocustódia de Bitcoin, veja como participar

No dia 21 de abril, feriado de Tiradentes, Belo Horizonte será palco de um curso inédito sobre Bitcoin, promovendo a autocustódia de ativos...

ICL aciona Justiça após campanha de desinformação

Uma campanha de desinformação que utiliza deepfakes, vídeos manipulados e reportagens falsas...