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Grupo incitava invasão de território com mil indígenas em Rondônia, diz PF



Operação foi realizada em três cidades de Rondônia (Divulgação/PF)

03 de abril de 2025

Jadson Lima – Da Cenarium

MANAUS (AM) – Uma operação da Polícia Federal (PF), realizada nesta quinta-feira, 2, mirou em um grupo investigado por grilagem de terras na Terra Indígena (TI) Igarapé Lage, localizada entre os municípios de Nova Mamoré e Guajará-Mirim, em Rondônia. A ação, que contou com o apoio de agentes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), realizou a desintrusão na área com a expulsão de invasores dentro da TI.

Operação mobilizou agentes federais nesta quinta-feira (Divulgação)

Além da operação em campo, os agentes federais cumpriram cinco mandados de busca e apreensão em endereços na capital de Rondônia, Porto Velho, e nos municípios de Guajará-Mirim e Nova Mamoré. De acordo com a PF, os alvos são suspeitos de dividir uma área de 20 quilômetros em 100 lotes para venda ilegal dos terrenos, porque as terras indígenas são área de propriedade da União e de uso exclusivo dos povos indígenas.

PF cumpriu mandados de buscas em três cidades de Rondônia (Divulgação)

As investigações sobre a suspeita dos crimes apontaram que dois investigados, que não tiveram os nomes divulgados pela PF, se apresentavam como engenheiro e advogado e incentivavam pessoas a invadir a área demarcada pelo governo federal desde 1981. A equipe que participou da operação nesta quinta-feira também promoveu a destruição de construções clandestinas, como pontes.

Ataque a indígenas

Em agosto do ano passado, os indígenas da etnia Oro Nao relataram às autoridades um ataque registrado dentro da TI Igarapé Lage. De acordo com a denúncia, sete homens armados e encapuzados invadiram uma aldeia na noite do dia 11 e incendiaram residências e veículos. Eles exigiam a saída dos indígenas do local.

Ataque foi registrado em aldeia no ano passado (Divulgação)

Registros na época mostram que os suspeitos atearam fogo em uma residência e em uma motocicleta. Em nota, nesta quinta-feira, a PF confirmou a ação registrada há mais de sete meses. “Desde o final de 2022, mais de 800 hectares foram desmatados, e houve queimadas ilegais, além de um ataque a uma família indígena em que a casa foi incendiada”, disse a corporação em um trecho.

Outras operações na TI

De acordo com a PF, em 2024 foram realizadas cerca de oito operações contra crimes praticados na TI Igarapé Lage, que envolveu centenas de agentes federais de vários órgãos. Uma das ações foi registrada entre os dias 16 e 17 de maio, quando as autoridades revelaram que que os invasores do local haviam desmatado uma área equivalente a mais de um mil campos de futebol.

Em nota na época, a corporação revelou que o corredor de 20 quilômetros de extensão era usado para facilitar o transporte de madeira ilegal, além de auxiliar os invasores a ter acesso ao local. A operação encontrou vários pontos de extração ilegal de madeira de cerca de 840 hectares, além de casas.

Leia mais: Fraude na compra de merenda escolar por R$ 11,4 milhões motivou operação da PF
Editado por Izaías Godinho



Fonte: Agência Cenarium

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