Guerra comercial faz FMI reduzir projeções para economia global


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A guerra comercial liderada pelo presidente dos Estado Unidos, Donald Trump, está começando a deixar marcas no cenário econômico global. Em seu relatório mais recente, divulgado durante os encontros de primavera em Washington, o Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo suas expectativas de crescimento para 2025 e 2026 — um reflexo direto das políticas adotadas pelo governo Trump desde o início de seu segundo mandato.

Segundo o FMI, a economia mundial deve crescer 2,8% em 2025 e 3,0% em 2026, números que ficaram abaixo dos 3,3% projetados anteriormente para ambos os anos. Além disso, esses resultados representam um desempenho aquém da média histórica de 3,7% ao ano registrada entre 2000 e 2019.

Os principais afetados por essa revisão foram os próprios Estados Unidos, além de seus parceiros comerciais mais próximos: China, México e Canadá. O Brasil, por outro lado, saiu praticamente ileso dessa reavaliação.

Mas, de maneira geral, o FMI alertou que todas as grandes economias vão sofrer muito por conta do que está acontecendo. O economista e fundador do ICL, Eduardo Moreira, explica que isso se deve à diminuição do investimento e do consumo devido às enormes incertezas que estão no jogo. “Quando as pessoas têm muitas incertezas, elas poupam ao invés de gastar. O mesmo acontece com as empresas, o mesmo acontece com os países”, disse Eduardo.

Para o economista, isso faz reduzir o investimento e “esse ciclo vicioso vai cada vez ficando pior”.

Brasil: pequenas mudanças, poucas menções

Para a economia brasileira, o FMI fez uma previsão de crescimento de 2,0% para 2025 e 2026, ligeiramente inferior aos 2,2% estimados anteriormente.

Os números são mais pessimistas do que os do governo:

  • O Ministério da Fazenda projetou em março que o Brasil crescerá 2,3% neste ano e 2,5% em 2026.
  • O Banco Central passou a ver que o PIB crescerá 1,9% este ano.

Em relação à inflação, o FMI calcula que o aumento dos preços no Brasil ficará em uma taxa média anual de 5,3% este ano e de 4,3% no próximo. A meta oficial de inflação é de 3% em 12 meses com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

O relatório do FMI também cita o Brasil em relação ao impacto das condições climáticas sobre os preços do café. Numa seção sobre cotações de commodities agrícolas, o relatório do FMI diz que, entre agosto de 2024 e março de 2025, “os preços do café subiram 33,8%, com o índice de café do FMI atingindo níveis históricos em fevereiro devido a preocupações com a oferta relacionadas ao clima no Brasil”.

O FMI também alertou para a dificuldade que vão passar os países emergentes, de maneira geral, para refinanciar suas dívidas. “Isso provavelmente vai impor a esses países juros mais alto, o que vai piorar ainda mais a situação fiscal desses países, podendo trazer mais pobreza e uma situação humanitária muito preocupante para o mundo”, alerta Eduardo Moreira.

Guerra comercial é freio para o crescimento global

O relatório detalha como a política de aumentos tarifários implementada pelos EUA — que culminou, no início de abril, em uma aplicação praticamente universal dessas tarifas — representa um freio considerável ao crescimento global. Segundo o FMI, a média das tarifas efetivamente cobradas pelo governo americano atingiu níveis inéditos nos últimos cem anos.

Além das tarifas em si, a instabilidade causada pelas decisões comerciais imprevisíveis tem prejudicado as projeções econômicas, dificultando a criação de cenários sólidos para os próximos anos. O FMI alerta que, embora acordos futuros possam melhorar o panorama, os riscos ainda são majoritariamente negativos.

EUA, China, México e Canadá sentem o peso; saúde do sistema financeiro internacional está em risco

A economia americana, centro dessa disputa, foi fortemente afetada. A projeção do FMI para o crescimento do PIB dos EUA em 2025 caiu de 2,7% para 1,8%. Para 2026, a estimativa também foi reduzida para 1,7%.

Na China, o segundo maior parceiro comercial dos EUA, a expectativa de crescimento foi revisada de 4,6% para 4,0% neste ano, com o mesmo índice sendo mantido para 2026, abaixo das previsões anteriores.

O México foi quem mais perdeu: a projeção que antes indicava crescimento de 1,4% em 2025 foi revertida para uma retração de 0,3%. Para 2026, o avanço deve ser de apenas 1,4%, também abaixo dos 2,0% previstos anteriormente.

O Canadá, outro país altamente interligado à economia americana, também sofreu cortes nas projeções. O crescimento previsto para 2025 caiu para 1,4%, e para 2026, para 1,6% — em ambos os casos, 0,6 ponto percentual abaixo das estimativas anteriores.

O FMI conclui seu relatório com um alerta: a atual postura comercial dos EUA pode provocar desdobramentos perigosos nos mercados financeiros globais. A incerteza pode levar a reprecificações abruptas de ativos, flutuações nas taxas de câmbio e saída de capitais — especialmente de países com altos níveis de endividamento.

Se os ventos não mudarem de direção, o mundo pode enfrentar instabilidades mais amplas, afetando não apenas o crescimento econômico, mas também a saúde do sistema financeiro internacional.

Assista ao vídeo do comentário de Eduardo Moreira sobre o relatório do FMI:





Fonte: ICL Notícias

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