Após a forte queda da véspera, o Ibovespa passou por novo ajuste e encerrou a quinta-feira (5) em leve alta de 0,23%, aos 182.127 pontos, movimento típico de um mercado que testa recordes no início de 2026. O câmbio permaneceu praticamente estável, com o real avançando 0,08%, a R$ 5,254, enquanto os juros futuros oscilaram sem direção definida.
No noticiário político, investidores repercutiram entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao UOL. O destaque foi a sinalização de viagem a Washington, para encontro com Donald Trump, prevista para a primeira semana de março, além de elogios ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo — ainda que acompanhados de críticas ao nível da taxa Selic.
Em paralelo, decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), para revisão e suspensão de “penduricalhos” ilegais no serviço público elevou a tensão entre os Poderes logo no início do ano legislativo.
Apesar do pano de fundo político, o principal vetor do mercado foram os balanços corporativos. O Itaú (ITUB4) divulgou resultados do quarto trimestre de 2025 em linha com as expectativas e avançou 2,02%, evitando um desempenho mais fraco do índice. O efeito, contudo, não se espalhou pelo setor: Santander (SANB11) caiu 1,20%, Banco do Brasil (BBAS3) recuou 2,63%, e Bradesco (BBDC4) subiu 0,81% à espera de seus números, com projeções de melhora no ROE.
Entre as demais empresas, a Porto (PSSA3) recuou 3,73% mesmo após lucro acima do esperado, penalizada por piora na qualidade dos ativos. Já Vale (VALE3) caiu 3,33%, acompanhando a fraqueza do minério de ferro, enquanto Petrobras (PETR4) cedeu 1,39%, pressionada pela queda dos preços do petróleo.
Mercado externo
O presidente dos EUA, Donald Trump, reduziu as tensões envolvendo Venezuela e Irã, pressionando os futuros do petróleo e também o ouro, que fecharam em queda, movimento acompanhado pela prata, que ampliou a liquidação recente.
Em meio à maior volatilidade, o Bitcoin voltou a liderar as perdas: a criptomoeda já acumula queda de 40% desde o pico histórico de outubro e o mercado projeta elevada probabilidade de recuo para a faixa de US$ 65 mil ainda neste ano.
Na Europa, as bolsas encerraram o dia sem direção única, em sessão marcada por decisões de política monetária. Tanto o Banco Central Europeu quanto o Banco da Inglaterra mantiveram os juros inalterados.
O Dow Jones caiu 1,20%, aos 49.908,78 pontos; o S&P 500, -1,23%, aos 6.798,38 pontos; e o Nasdaq, -1,59%, aos 22.540,58 pontos.




