Lucro das operadoras de saúde dispara e setor registra melhor resultado em cinco anos


As operadoras de planos de saúde tiveram um desempenho expressivo entre janeiro e setembro deste ano. Segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o lucro operacional acumulado chegou a R$ 9,3 bilhões, um avanço de quase 140% em comparação ao mesmo período de 2024 — o melhor resultado desde 2019.

Quando considerados também os ganhos financeiros — favorecidos pelo cenário de juros elevados — o lucro líquido atingiu R$ 17,9 bilhões, superando o recorde anterior de R$ 15,9 bilhões registrado em 2020, durante a pandemia. Esse é o maior valor desde o início da série histórica, em 2018.

O levantamento aponta que Bradesco, SulAmérica e Hapvida foram responsáveis por 43% de todo o lucro operacional do setor. O peso dessas companhias deixa evidente como o resultado das líderes influencia o panorama geral das operadoras de saúde.

Juros elevados impulsionam o lucro líquido das operadoras de saúde

As empresas também se beneficiaram significativamente das receitas vindas de aplicações financeiras. Só nos nove primeiros meses de 2025, o ganho com investimentos somou R$ 11,1 bilhões, 60% acima do mesmo período do ano passado e o maior volume desde 2018.

Outro dado positivo foi a redução da sinistralidade, que fechou o período em 81,9%, queda de 2,4 pontos percentuais em comparação com 2024. A métrica mede quanto da receita é utilizada para custear atendimentos e procedimentos dos clientes — quanto menor, maior a folga financeira das operadoras.

Apesar do crescimento robusto, a recuperação não é uniforme. Cerca de 7,2 milhões de beneficiários ainda dependem de operadoras que enfrentam dificuldades financeiras.

Atualmente:

  • 49 operadoras participam de programas de ajuste econômico-financeiro
  • 26 estão sob direção fiscal
  • 41 enfrentam processos de cancelamento de registro

Segundo o jornal O Globo, fontes próximas à ANS afirmam que a diretoria discute formas de reforçar o monitoramento dessas empresas para evitar prejuízos assistenciais aos consumidores, já que muitos dos problemas são atribuídos à má gestão.

Durante a apresentação dos dados, Jorge Aquino, diretor de Normas e Habilitação das Operadoras, resumiu o cenário:

“Há uma recuperação forte, lucros importantes, mas é um mercado ainda muito heterogêneo na sua performance.”





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