Ibovespa fecha em queda e acumula pior mês desde 2023 em meio a incertezas globais


O Ibovespa voltou a fechar em baixa nesta quinta-feira (28), em um pregão marcado por forte volatilidade e uma sequência intensa de notícias econômicas e geopolíticas. O principal índice da Bolsa brasileira caiu 0,39%, aos 175.063 pontos, acumulando perda de 6,54% em maio — o pior desempenho mensal desde fevereiro de 2023.

Apesar de seguir acima dos 170 mil pontos, o mercado brasileiro enfrenta dificuldades para sustentar ganhos consistentes diante das incertezas no cenário internacional e da cautela dos investidores.

O principal fator de atenção do dia foi a notícia de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã para ampliar o cessar-fogo no Oriente Médio e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano.

O avanço diplomático ajudou a aliviar parte da tensão nos mercados, mas investidores mantiveram cautela porque o entendimento ainda dependeria da aprovação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Com isso, as bolsas americanas tiveram desempenho misto. O Nasdaq e o S&P 500 fecharam em alta, enquanto o Dow Jones oscilou durante toda a sessão. Na Europa, a maioria dos mercados encerrou o dia no vermelho.

O petróleo também terminou sem direção única: o barril WTI subiu, enquanto o Brent recuou.

Além das questões geopolíticas, os investidores acompanharam uma bateria de indicadores econômicos nos Estados Unidos.

A segunda prévia do PIB americano do primeiro trimestre veio abaixo da estimativa anterior, reforçando sinais de desaceleração da economia. Já o índice de preços de consumo pessoal (PCE), principal indicador de inflação observado pelo Federal Reserve, ficou levemente abaixo do esperado.

O resultado aumentou as expectativas de um processo gradual de desinflação e reforçou apostas de manutenção dos juros americanos em níveis elevados por mais tempo.

Mercado acompanha indicadores brasileiros

No Brasil, os investidores também reagiram a diversos dados econômicos divulgados ao longo do dia.

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou criação líquida de vagas formais em abril, mas abaixo das expectativas do mercado. O governo central registrou superávit primário acima do esperado, enquanto os preços ao produtor aceleraram no mês.

A taxa de desemprego permaneceu em níveis historicamente baixos, cenário que segue sendo monitorado pelo Banco Central nas decisões sobre política monetária.

O dólar comercial caiu 0,57%, encerrando o dia cotado a R$ 5,03. Já os juros futuros oscilaram bastante ao longo do pregão, refletindo a instabilidade dos mercados.

Entre as ações de maior peso no Ibovespa, a Petrobras (PETR4) caiu 0,72%, acompanhando as oscilações do petróleo no exterior.

A estatal anunciou aumento no preço da gasolina para distribuidoras, mas com impacto reduzido ao consumidor devido ao subsídio temporário criado pelo governo federal.

Segundo análise do Itaú BBA, o reajuste teve como principal objetivo viabilizar operacionalmente o mecanismo de compensação tributária adotado pelo governo, sem alterar de forma relevante o preço final do combustível.

Destaques do Ibovespa

A Vale (VALE3) avançou 0,61% e caminhou para encerrar maio em terreno positivo.

Por outro lado, os grandes bancos tiveram desempenho negativo e ajudaram a pressionar o Ibovespa. Banco do Brasil (BBAS3) caiu 2,18%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4), Santander (SANB11) e Bradesco (BBDC4) também fecharam em baixa.

No varejo, o cenário foi misto. Magazine Luiza (MGLU3) recuou 3,79%, enquanto Lojas Renner (LREN3) avançou 0,87%.

Mercado aguarda novos indicadores
Os investidores agora voltam as atenções para os próximos dados econômicos, incluindo a divulgação do PIB brasileiro do primeiro trimestre, além de indicadores de inflação e atividade econômica na Europa.

O encerramento de maio reforça um ambiente de cautela nos mercados financeiros, marcado pela combinação de incertezas geopolíticas, dúvidas sobre juros globais e volatilidade nos ativos brasileiros.





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