Ilhas Cayman cancelam holding de Vorcaro após Tether cobrar dívida


Por Pedro S. Teixeira e Diego Felix

(Folhapress) – As Ilhas Cayman determinam o cancelamento do registro da Titan Capital, empresa fundada por Daniel Vorcaro no paraíso fiscal para controlar ativos no Brasil e no exterior — a Titan era acionista do Banco Master e teve participações, por exemplo, na agência de turismo BeFly e no conglomerado de moda Veste, vendido ao BTG. A ordem é do último dia 31.

Investigações do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e da Polícia Federal citadas pelo liquidante do Master apontam que a Titan esteve no centro de um suposto esquema de esvaziamento patrimonial, tendo recebido mais de R$ 700 milhões da instituição financeira entre janeiro e julho de 2025, antes da liquidação do banco pelo Banco Central, em novembro.

Segundo os documentos do liquidante, Vorcaro detém 20 mil ações classe B ordinárias na companhia, e existem indícios de tentativa de venda dessas participações, em junho de 2025, a uma empresa das Bahamas por US$ 100 milhões.

A decisão é um dos efeitos do pedido de liquidação da Titan, feito em 28 de abril pela Tether, uma das maiores empresas de criptomoedas no mundo. A Tether cobra uma dívida de US$ 300 milhões (cerca de R$ 1,5 bilhão em valores históricos do contrato) decorrente de um empréstimo concedido por seu braço de investimentos em março de 2025.

O caso foi julgado pela juíza-chefe das Ilhas Cayman Margaret Ramsay-Hale no último dia 29 e, conforme revelou o jornal O Estado de S. Paulo, culminou na liquidação judicial da empresa, cujo único acionista era Daniel Vorcaro.

Com a abertura do processo de falência internacional, os antigos administradores da holding foram destituídos, e o controle foi transferido para liquidantes da Grant Thornton Specialist Services.
Procurada via email neste domingo (9), a defesa de Vorcaro não se manifestou.

A Tether, que também busca a liquidação da dívida no Brasil desde abril, citava o ex-diretor de Compliance do Master Luiz Antonio Bull como responsável pela companhia.

Procurada, a defesa do executivo disse que ele “renunciou a todo e qualquer cargo, função ou posição que eventualmente ocupasse na Titan Capital e demais empresas de seu grupo”. A mesma informação foi anexada aos autos do Tribunal de Justiça de São Paulo

A Justiça paulista procura, sem sucesso, um responsável pela Titan no país a fim de executar a dívida desde o dia 2 de junho. O oficial de Justiça visitou duas vezes um endereço informado na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo. Na primeira ocasião, ouviu que a atendente “desconhecia a empresa”. Depois, foi informado de que o responsável “encontrava-se viajando”.

Como garantia do empréstimo, foram dadas cessões de recebíveis de empréstimos consignados do Credcesta que eram depositados em conta segura do próprio Master.

A Tether afirma que, ao longo do ano, o Master teve suas notas de crédito rebaixadas por agências de risco e, em outubro, mais de R$ 67 milhões teriam entrado na conta segura e sido retirados em seguida, o que evidenciaria má-fé do banco.

Um tribunal de arbitragem em Londres condenou a Titan a pagar US$ 312,5 milhões em dezembro, valor que hoje ultrapassa US$ 326,2 milhões com as custas do caso.

Liquidante do Master aponta transferências milionárias

Paralelamente, no final de julho, o juiz Jalil Asif emitiu uma ordem de reconhecimento que concede à EFB Regimes Especiais, liquidante do Master, o papel de representante estrangeira exclusiva da massa falida do Banco Master em Cayman.

Os advogados do liquidante listaram ativos e disputas relevantes nas Ilhas Cayman. Um deles diz respeito ao envio de US$ 121,8 milhões, em maio de 2025, para o Global Navigator Fund, fundo constituído naquele país, gerido pela Arbra Partners.

A própria gestora alega ter um crédito de US$ 32 milhões contra a Titan como direitos de compensação, provavelmente decorrentes de taxas, resgates pendentes ou outras obrigações contratuais. O liquidante afirma não reconhecer essa dívida.

Segundo a petição, o mesmo fundo teria sido supostamente usado por Vorcaro e pelo Master como garantia de operações com o BRB (Banco de Brasília). Os advogados ainda trabalham com a hipótese de Vorcaro ter realizado a transferência de titularidade do fundo ao BRB quando o banco estatal tentava comprar o Master no ano passado.

A Tether desponta como uma das primeiras na fila de credores da holding por possuir garantias vinculadas a operações do Credcesta, gestor de cartão consignado que permanece ativo. Entre os credores da Titan estão o próprio Banco Master e a gestora de crédito Fictor, que anunciou a compra do Master no fim do ano passado, um dia antes da liquidação da instituição financeira.

A EFB pede a execução de US$ 32,3 milhões (R$ 166 milhões). Os valores estão ligados ao vencimento de seis contratos de câmbio.





ICL – Notícias

Padre é excomungado devido a vínculo com grupo ultraconservador em SP

A Diocese de Jundiaí, no interior de São Paulo, anunciou a excomunhão...

Amazonas Repórter

Tudo