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sexta-feira, fevereiro 13, 2026
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Irã elimina vestígios de execuções políticas


O governo iraniano transformou uma área de um cemitério onde estavam os restos mortais de opositores em um estacionamento, gerando a indignação de famílias e um protesto diante do que seria uma tentativa de Teerã de acabar com qualquer provas sobre a repressão no país.

Os dados fazem parte de um documento oficial da ONU e obtido pelo ICL Notícias. De acordo com a carta enviada pelos relatores das Nações Unidas para o governo iraniano, houve uma ofensiva para destruir e profanar valas comuns do Cemitério Behesht-e Zahra, em Teerã.

Ela abrigava os restos mortais de milhares de presos políticos executados durante a década de 1980, incluindo, muito provavelmente, os de muitas pessoas ainda registradas como desaparecidas e vítimas de desaparecimento forçado.

De acordo com informações recebidas pela ONU, em 11 de agosto de 2025, as autoridades mobilizaram tratores, máquinas pesadas e agentes de segurança para demolir a Seção 41 do Cemitério Behesht-e Zahra, em Teerã. Árvores foram derrubadas, a vegetação queimada e a área isolada do público sob vigilância armada.

Uma semana depois, em 19 de agosto de 2025, o vice-prefeito de Teerã confirmou que a área estava sendo transformada em um estacionamento. Ele explicou que a Seção 41 estava “abandonada” e que a permissão para nivelar o local e transformá-lo em estacionamento havia sido concedida.

Sua versão foi contestada por familiares de pessoas enterradas no Cemitério Behesht-e Zahra, que contém milhares de sepulturas individuais de pessoas executadas no período pós-revolucionário, incluindo dissidentes políticos de diversos grupos, como a Organização dos Mojahedin do Povo (MEK), partidos comunistas e grupos socialistas, bem como indivíduos com ligações com o Estado pré-revolucionário, incluindo oficiais do exército.

O local abrigaria até 7 mil sepulturas.

Desde o início da década de 1980, quando o regime teocrático se estabeleceu no país, a ONU alerta que as autoridades mantêm um controle rigoroso sobre a área, com restrições ao plantio de flores ou à restauração de lápides profanadas. A vegetação era periodicamente queimada, deixando o solo árido.

“Nas últimas quatro décadas, as autoridades teriam demolido sistematicamente sepulturas individuais e coletivas de dissidentes executados em todo o país, o que gera preocupações sobre a possível obstrução de provas e compromete a possibilidade de identificar os restos mortais e garantir o direito dos familiares de pessoas desaparecidas de conhecer a verdade”, disse a carta.

Além das sepulturas de dissidentes políticos executados, há relatos de que sepulturas individuais e coletivas de minorias religiosas, em particular bahá’ís, e de artistas dissidentes foram destruídas ao longo de décadas, supostamente por forças de segurança ligadas ao Estado.

Nos últimos anos, também teriam sido destruídas sepulturas de pessoas mortas durante movimentos sociais, incluindo os protestos de 2022. Além disso, o acesso de familiares aos cemitérios tem sido supostamente proibido.

“Em março de 2025, familiares de pessoas executadas na década de 1980 relataram terem sido impedidos de entrar no Cemitério de Khavaran, uma vala comum na província de Teerã”, diz o documento. “Além das preocupações com a preservação de provas, tais práticas levantam questionamentos sobre o respeito aos falecidos e agravam o trauma vivenciado pelas famílias enlutadas”, alertam os relatores da ONU.

No documento, os representantes expressão “a mais profunda preocupação com os relatos”. “Ao destruir o local, as autoridades não apenas eliminariam os vestígios físicos de execuções políticas, mas também obstruiriam o luto da família, bloqueariam os esforços em prol da verdade e da responsabilização e suprimiriam a memória pública”, diz.

“Além disso, a impossibilidade de obter os restos mortais de um membro da família e de realizar os rituais relacionados configura uma violação do direito à privacidade e à vida familiar, bem como do direito ao exercício de práticas culturais”, aponta.

“Estamos particularmente preocupados com o fato de que essas ações relatadas parecem ser uma tentativa deliberada de obstruir o direito à verdade, à justiça e à reparação por graves violações dos direitos humanos, bem como o direito de acesso e fruição do patrimônio cultural, que inclui narrativas históricas”, insistem os relatores.

Segundo eles, os governos são obrigados a assegurar a participação efetiva das famílias nas decisões sobre a gestão e a memorialização dos seus corpos e não devem criminalizar quem procura localizar ou falar sobre valas comuns.

“Preocupa-nos ainda que as valas comuns e individuais resultantes das execuções em massa da década de 1980 constituam locais de crime que exigem perícia forense para a exumação e preservação de provas, em conformidade com o dever de investigar todas as mortes potencialmente ilícitas, de acordo com o Protocolo de Minnesota (2016)”, diz.





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