Julgamento pode acelerar aproximação de Aava Santiago com o PT em Goiás


A vereadora de Goiânia Aava Santiago (PSB) tem se aproximado cada vez mais do campo político do PT em Goiás. O movimento que pode se intensificar dependendo do desfecho do processo que discute a perda de seu mandato por infidelidade partidária, em julgamento no Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO). A ação, suspensa nesta quarta-feira (22) após pedido de vista, é o pano de fundo de uma disputa que ultrapassa os limites jurídicos e tem impacto direto na reorganização da esquerda e da centro-esquerda goiana.

O pedido de vista foi apresentado após as sustentações orais no tribunal, em manifestação conjunta do relator, o desembargador Adenir Teixeira Peres Júnior, e da desembargadora Stefane Fuíza Cançado Machado. Ainda não há data definida para a retomada da sessão. Até lá, Aava segue no exercício do mandato.

A ação foi ajuizada pelos diretórios municipal e estadual do PSDB, partido pelo qual a parlamentar foi eleita em 2024 e do qual se desfiliou para se juntar ao PSB. Os tucanos sustentam que a mudança de partido não cumpriu os requisitos previstos na legislação eleitoral para preservar o mandato, como a apresentação de carta de anuência ou a troca dentro da janela partidária, que só voltará a ocorrer em 2028.

Durante a sessão, a advogada da legenda, Marina Almeida Morais, argumentou que a vereadora sempre teve espaço de destaque na sigla, tendo recebido o maior repasse do fundo eleitoral entre os candidatos do PSDB à Câmara de Goiânia em 2024 e ocupado cargos como a presidência do PSDB Metropolitano e do Instituto Teotônio Vilela.

Violência política de gênero

A defesa da vereadora, representada pelo advogado Leonardo Felipe Marques, no entanto, alega justa causa para a desfiliação, citando episódios de violência política de gênero e o que descreve como “esvaziamento de sua atuação dentro do PSDB”. Como exemplo, a defesa citou a destituição de Aava da presidência do PSDB Metropolitano durante a eleição municipal de 2024.

Eleita com 10.482 votos, a maior votação já obtida por uma mulher para a Câmara de Goiânia, Aava começou a carreira política no PSDB, partido historicamente ligado ao centro. Nos últimos anos, porém, aproximou-se gradualmente do campo progressista. No PSB, a parlamentar chegou a integrar a equipe de transição do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e passou a dialogar com lideranças petistas, ampliando seu protagonismo em pautas do governo.

Os possíveis desfechos do julgamento tendem a fortalecer a posição da parlamentar. Caso o TRE-GO reconhecer justa causa e mantenha o mandato, Aava deve consolidar sua liderança no PSB. Se a Corte determinar a perda da cadeira, a parlamentar deve permanecer na legenda e poderá usar o episódio para reforçar o discurso de perseguição política, o que pode acelerar sua aproximação com o PT e com Lula.

Em nota, a assessoria de Aava informou que a vereadora recebeu a suspensão do julgamento “com serenidade, respeito às instituições e plena confiança na Justiça”, e que continuará exercendo normalmente suas funções na Câmara e mantendo sua agenda de rua enquanto aguarda a conclusão do processo.





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