Lula acusa clã Bolsonaro de ‘rair a própria pátria’


Em discurso durante evento da Petrobras em Sergipe nesta sexta-feira (29), o presidente Lula (PT) criticou integrantes da família Bolsonaro após os Estados Unidos anunciarem a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O petista afirmou que aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro incentivam interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil e classificou a articulação como “traição à pátria”.

“Nós não aceitamos ser tratados como moleques. Nós não aceitamos ser tratados como se fôssemos uma republiqueta”, afirmou Lula. O presidente também disse já ter tratado do combate ao crime organizado diretamente com Donald Trump em uma reunião anterior. “Eu tive três horas com o presidente Trump. Entreguei quatro documentos para ele. Um deles era o combate ao crime organizado”, declarou.

Lula também fez referência ao senador Flávio Bolsonaro (PL) ao afirmar que integrantes da família Bolsonaro atuam nos Estados Unidos em busca de pressão internacional sobre o Brasil. “Não tem vergonha na cara de trair a nossa pátria e ir nos Estados Unidos pedir intervenção americana no Brasil”, afirmou.

Durante o discurso, o presidente provocou aliados bolsonaristas que, segundo ele, estão se escondendo da Justiça brasileira nos Estados Unidos.

“Quer combater o crime organizado? Que entregue os nossos que estão lá nos Estados Unidos”, disse Lula, ao mencionar condenados como o ex-deputado federal do PL Alexandre Ramagem e Ricardo Magro, da Refit.

Em nota, o Palácio do Planalto reforçou o tom das críticas e classificou como “deplorável” a viagem de integrantes da família Bolsonaro aos Estados Unidos para tratar do tema.

“É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país”, afirmou o governo.

O Planalto também alertou para possíveis impactos da medida anunciada pelos EUA no combate ao crime organizado e em setores estratégicos da economia brasileira. Segundo o governo, a classificação unilateral de facções como terroristas pode prejudicar o compartilhamento de informações entre forças de segurança e afetar o sistema financeiro nacional.

“Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o Pix, que incomodam interesses estrangeiros”, diz a nota.

Os Estados Unidos vêm investigando o Pix sob alegações de possível “concorrência desleal”, em um movimento visto pelo governo brasileiro como uma pressão de interesses financeiros internacionais.

Apesar das críticas, o governo reconheceu, no comunicado, a gravidade da atuação do PCC, do CV e de outras organizações criminosas no território nacional. O Planalto afirmou que as facções “praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias”, mas argumentou que há diferença entre a violência praticada pelo crime organizado para obtenção de lucro e o terrorismo internacional motivado por razões políticas, religiosas ou ideológicas.

“Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa ‘Brasil contra o Crime Organizado’, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima”, concluiu o governo.

Confira trecho do discurso:

*Com informações da Agência Brasil





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