Marjane Satrapi, criadora de Persépolis, artista franco-iraniana morre aos 56 anos


SA escritora, quadrinista e cineasta franco-iraniana Marjane Satrapi morreu aos 56 anos. Reconhecida mundialmente pela obra autobiográfica Persépolis, ela se tornou uma das vozes mais influentes na representação da sociedade iraniana para o público internacional.

Em comunicado enviado à agência AFP, familiares afirmaram que Satrapi “morreu de tristeza” após a perda do marido, o produtor sueco Mattias Ripa, falecido em abril do ano passado. Pouco depois da morte dele, a artista compartilhou em suas redes sociais uma mensagem emocionada: “Pois perdi o amor da minha vida”.

A notícia provocou comoção na França, onde Satrapi construiu grande parte de sua carreira. O presidente francês, Emmanuel Macron, prestou homenagem à autora e destacou sua capacidade de transformar experiências pessoais em narrativas universais.

“Uma grande artista que transformou sua infância iraniana em um conto universal”, declarou Macron. Segundo ele, a combinação de ironia, sensibilidade e olhar crítico presente em suas obras permitiu que leitores de diferentes origens se identificassem com suas histórias.

Também pelas redes sociais, Yaël Braun-Pivet ressaltou a importância de Satrapi na defesa da liberdade e dos direitos das mulheres. “Marjane Satrapi transformou sua obra em um ato de liberdade. Com Persépolis, ela deu rosto e voz à revolução iraniana, carregando com orgulho a luta pela liberdade e dignidade das mulheres”, escreveu.

Nascida em 1969 na cidade de Rasht, próxima ao Mar Cáspio, Satrapi cresceu em Teerã. Ainda adolescente, foi enviada pelos pais para a Europa, em meio às transformações políticas e sociais provocadas pela Revolução Islâmica. Anos depois, estabeleceu-se definitivamente na França, onde chegou em 1994 e obteve cidadania francesa em 2006.

Ao longo da vida, manteve uma postura crítica em relação ao regime iraniano e ao poder exercido pelo clero no país.

Seu reconhecimento internacional veio em 2000, com a publicação de Persépolis. A obra retrata sua infância e juventude durante os anos que sucederam a queda do xá e a instalação da República Islâmica no Irã. A narrativa acompanha uma jovem que tenta compreender a repressão política, a violência e as mudanças sociais que marcaram o período, até deixar o país aos 14 anos para viver na Europa.

Em entrevista ao jornal The Guardian em 2024, Satrapi afirmou que um dos principais objetivos de Persépolis era aproximar os leitores ocidentais da realidade iraniana, mostrando que os habitantes do país são vistos, muitas vezes, por meio de estereótipos. Ela desejava que o público percebesse que “Ah, eles são realmente seres humanos como nós”.

Traduzido para diversos idiomas e com milhões de exemplares vendidos, Persépolis consolidou Satrapi como uma das autoras iranianas mais lidas do mundo. A obra também contribuiu para ampliar o debate sobre a cultura, a política e a sociedade do Irã, rompendo visões simplificadas frequentemente difundidas no Ocidente.





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