Servidores veem crise aberta na Abin após decisão sobre Abin paralela


 

Por Cleber Lourenço

 

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de arquivar parte das investigações sobre a chamada Abin paralela abriu uma nova frente de pressão dentro da própria Agência Brasileira de Inteligência. Em nota, a Intelis, entidade que representa profissionais da carreira de inteligência, afirmou que o arquivamento de apurações contra integrantes da atual gestão “não encerra a crise institucional da Abin” nem elimina a necessidade de mudanças no funcionamento do órgão.

A manifestação é uma reação direta à decisão de Moraes. O ministro arquivou a investigação contra cinco integrantes da gestão atual da Abin por falta de justa causa, mas manteve a apuração contra outros investigados e determinou o envio de parte do caso para a Justiça Federal.

Na avaliação da entidade, “a ausência de elementos para responsabilização penal individual não significa que os problemas revelados pela investigação estejam superados”. A nota sustenta que a decisão reforça a necessidade de mecanismos mais claros de controle, profissionalização e responsabilização na atividade de inteligência.

O ponto mais sensível da manifestação está na leitura política feita pela própria carreira sobre a passagem da decisão em que Moraes menciona a possibilidade de “apropriação indevida” da Abin por altos gestores, em sua maioria policiais federais, para fins ilícitos. Para os servidores, esse trecho evidencia “a vulnerabilidade da agência a comandos externos à carreira de inteligência e a disputas políticas ou corporativas”.

A Intelis também busca afastar a ideia de que o caso da Abin paralela deva servir como argumento para paralisar a modernização da inteligência brasileira. Segundo a entidade, “episódios de desvio de finalidade devem ser enfrentados com regras mais fortes, controle institucional e valorização dos servidores especializados”.

A nota cita o projeto que cria o novo marco legal da inteligência, em tramitação no Senado, como uma resposta necessária ao histórico de crises envolvendo a Abin. Para a entidade, a proposta é “fundamental para regulamentar atividades sensíveis da inteligência de Estado, estabelecer limites para técnicas sigilosas e criar salvaguardas contra o uso político da estrutura do órgão”.

A reação dos servidores ocorre em meio à disputa sobre o futuro da agência. Desde a revelação da Abin paralela no governo Jair Bolsonaro, a instituição tenta se afastar da imagem de órgão usado para espionagem ilegal de adversários, autoridades e jornalistas. A decisão de Moraes, embora tenha aliviado integrantes da gestão atual, manteve viva a discussão sobre quem controla a Abin, com quais limites e sob qual fiscalização.

Na prática, a nota transforma o arquivamento parcial em cobrança pública. A entidade reconhece a decisão do STF, mas sustenta que “a crise da Abin não se resolve apenas com o encerramento de apurações individuais”. Para a carreira, o problema é mais profundo: envolve o modelo de comando, as garantias de autonomia técnica e a criação de freios contra novas tentativas de captura da inteligência de Estado.





ICL – Notícias

Senhor, livra-nos das balas perdidas!

No domingo pela manhã, dia lindo na cidade do Rio de Janeiro,...

David Almeida atribui paralisação do transporte coletivo ao descumprimento de convênio pelo Governo do Estado

O pré-candidato ao Governo do Amazonas e ex-prefeito de Manaus, David Almeida, afirmou nesta terça-feira (22) que a paralisação do transporte coletivo na capital...

Amazonas Repórter

Tudo

Alerj vai comunicar STF da soltura de Bacellar, e Moraes pode determinar medidas cautelares

Por Yuri Eiras (Folhapress) – Após a decisão pela soltura do deputado estadual...

Justiça proclama Keiko Fujimori presidente eleita do Peru

Por Victor Farinelli | Opera Mundi O Juizado Nacional Eleitoral do Peru (JNE)...