Ailton de Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central, afirmou, em depoimento à Polícia Federal (PF), em 30 de dezembro, que antes da liquidação, o Banco Master, de Daniel Vorcaro, tinha apenas R$ 4 milhões em caixa. O valor seria anormal para uma instituição financeira de médio porte.
“Um banco de R$ 80 bilhões de ativos totais tem liquidez de R$ 3 bi, R$ 4 bi em títulos livres. O Master, antes da liquidação, tinha só R$ 4 milhões em caixa”, afirmou Aquino. O diretor do BC destacou que a crise de liquidez do Master era “muito clara” e que o banco não tinha ativos para fazer face às suas obrigações, o que gerou um processo administrativo sancionatório que ainda está em curso.
Os vídeos dos depoimentos de Aquino e dos banqueiros Daniel Vorcaro, do Master, e Paulo Henrique Costa, do BRB (Banco de Brasília), foram tornados públicos nesta quinta-feira por decisão do ministro Dias Toffoli, relator da investigação no STF.
No depoimento à delegada Janaína Palazzo, Aquino afirma, ainda, que o Master “não estava conseguindo cumprir o compulsório” —parcela de recursos dos clientes, captados em depósitos à vista, a prazo ou poupança, que o banco precisa obrigatoriamente deixar retida no BC.

“A pergunta central é como alguém que não tinha liquidez poderia gerar tanto crédito, nesta magnitude, para ceder ao BRB. Essa é uma pergunta, do ponto de vista do mercado financeiro, de lógica”, diz. O diretor do BC diz que isso “levantou um alerta” de que era necessário “aprofundar os trabalhos”.
Aquino afirmou que a reserva de recursos a ser feita pelo BRB para cobrir as perdas com o Master “será de elevada monta” e pode se aproximar dos R$ 5 bilhões. Até o momento, há R$ 2,6 bilhões mapeados.
Como diretor de fiscalização, eu não conheço, não recebi nenhuma pressão em termos de liquidar de autoridades da República. Não tenho conhecimento”, afirmou, em outro momento do depoimento.




