O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), avalia incluir o ministro Alexandre de Moraes na investigação do caso Master após a Polícia Federal (PF) identificar conversas diretas entre o colega de Corte e o banqueiro Daniel Vorcaro. As informações são de Cézar Feitosa e Fábio Serapião, do UOL.
De acordo com o relatório enviado a Mendonça, relator do processo, Vorcaro acionou Moraes para evitar investidas de órgãos de fiscalização contra o seu banco. O banqueiro usava uma técnica para tentar esconder os rastros do contato: escrevia os textos no bloco de notas do celular, tirava prints das telas e os enviava como mensagens de visualização única pelo WhatsApp para o ministro. O relatório aponta que Moraes respondia utilizando o mesmo método de comunicação.
Antes de tomar uma decisão sobre a inclusão de Moraes no inquérito, Mendonça abriu prazo para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar. Nos bastidores do tribunal, o relator e seus auxiliares também estudam retirar o sigilo do relatório da PF, o que aumentou a tensão interna na Corte diante do risco de desdobramentos sobre a relação de ministros com o sistema financeiro.

Alertas sobre o Banco Central e acusações de “sacanagem”
As mensagens registradas em 30 de outubro de 2025 mostram a preocupação do banqueiro com uma ofensiva iminente das autoridades. Em um dos trechos enviados ao ministro, Vorcaro relatou a situação do Banco Master e disse: “Boa, vou mudar minha ida a abu dhabi pra conseguir te ver, se voce puder na terça feira! As coisas do ponto de vista economico estao andando bem. Consegui colocar no banco 800mm ja e devem entrar mais 400mm próxima semana. E FGC começou a fazer aos poucos”.
No mesmo texto, o empresário avisou que o Banco Central sofria pressão da PF e do Ministério Público Federal e cobrou uma intervenção junto aos chefes das instituições: “O problema agora é que tive informações informais e em confidencia de turma do banco central, que G e os diretores estao na pressao maxima de novo pra uma medida, pois o bacen esta sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farao algo contra mim. É importante reforçar com Andrei e Paulo pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco”.
A PF identificou que “G” se referia ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, enquanto “Andrei” e “Paulo” eram citações a Andrei Rodrigues (diretor-geral da PF) e Paulo Gonet (procurador-geral da República).
Vorcaro concluiu o recado colocando-se à disposição e reforçando: “Estou disponivel pra tratar e explicar qq coisa, so nao pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que farao algo em breve”. Pouco depois, em novo texto enviado a Moraes, o banqueiro completou: “De pessoas de dentro do bacen que sao meus amigos e ficaram preocupados. Eles participaram das reunioes, por isso info 100%. Eu só nao posso queima los, pq tinham poucas pessoas, e saberao que eles me falaram, se isso chegar no G. Entao temos so que ter cuidado de como conduzir com o G depois”.
A assessoria do Supremo informou que Moraes não se manifestou após ser procurado. A PGR foi intimada e tem prazo de cinco dias para apresentar sua posição formal ao relator do processo.





