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quinta-feira, fevereiro 12, 2026
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Menos da metade do grupo de elite usou câmeras em operação


Por Yuri Eiras

(Folhapress) — O coordenador da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais), grupo de elite da Polícia Civil do Rio de Janeiro, afirmou em depoimento ao Ministério Público que, dos 128 agentes que atuaram na Operação Contenção, 57 usavam câmeras corporais.

O delegado Fabrício de Oliveira prestou depoimento na segunda-feira (10) para o grupo de atuação especializada em Segurança Pública da Promotoria do Rio de Janeiro.

Além da Core, participaram da operação policiais militares e agentes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais), tropa de elite da PM fluminense. O governo estadual calcula que mais de 2.500 agentes participação da operação, que terminou com 121 mortos.

Segundo depoimentos de policiais, a maior parte do conflito com suspeitos ocorreu na área de atuação do Bope, na serra da Misericórdia, na Penha.

Atraso na saída da operação

Oliveira foi questionado pelo Ministério Público sobre o uso das câmeras corporais e afirmou que a Core tem disponíveis cem câmeras, mas 128 policiais civis do grupo foram deslocados para atuar na operação.

O delegado relatou que alguns agentes não conseguiram retirar as câmeras da parede no momento de sair para a operação. Segundo ele, a empresa responsável pelos equipamentos contabilizou 32 câmeras indisponíveis.

Outras 68 estavam aptas para utilização. Segundo o delegado, 57 foram utilizadas e 11 sobraram.
As câmeras ficam em salas conhecidas como docas. Os equipamentos ficam na parede, em um suporte, para carregamento da bateria e dos arquivos de vídeo. Para retirar os policiais precisam digitar matrícula e senhas individuais.

Além dos que não conseguiram retirar os equipamentos da parede, outros, segundo ele, podem ter se atrapalhado no momento de sair para a operação.

“A gente faz um briefing da operação, quando os policiais estão prontos para sair, eles passam nessa sala. É feita até uma fila lá e eles vão tirando e colocando a câmera. Se a gente pega a câmera muito antes, a gente acaba comprometendo até a bateria e uso”, afirmou Oliveira.

“A gente conversa, faz o briefing, todo mundo se prepara e antes de sair eles colocam a câmera. Nesse momento alguns não conseguiram pegar a câmera e a gente já tinha horário pra sair. Acho que isso atrapalhou de alguma maneira essa dinâmica”, continuou.

“Em determinado momento começou a dar problema, o policial tentava e não conseguia, aí ficou naquilo, vai para o outro, [também] não conseguia.”

Questionado por um promotor se isso tinha ocorrido anteriormente, Fabrício de Oliveira afirmou que, pontualmente, “policiais já nos relataram dificuldade para retirar a câmera”, e justificou que a mobilização de 128 policiais, inédita, segundo ele, em uma operação, fez com que o problema se tornasse recorrente.

Rio, câmeras, polícia
Rio durante operação que resultou em 121 mortes – Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

Preservação das imagens

O depoimento é transcrito nos documentos enviados pelo Ministério Público nesta quarta-feira (12) ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, no âmbito da ADPF 635, a ADPF das Favelas.

Procurada pela reportagem, a empresa que fornece as câmeras afirma que recebeu solicitação de atendimento por parte da Secretaria de Polícia Civil em 29 de outubro, dia seguinte à operação, para verificar uma possível dificuldade de retirada de câmeras corporais das docas. “Análises preliminares indicam que todas as cem câmeras estavam disponíveis, porém estamos investigando a situação em detalhes”, afirmou a L8 Group.

Na segunda, em decisão monocrática, Moraes determinou que o governo do Rio preserve todas as imagens das câmeras corporais dos policiais civis e militares. Determinou ainda que o governo fluminense envie a relação dos policiais que participaram da operação e os dados das câmeras utilizadas no dia.

Moraes havia pedido na mesma decisão que o Ministério Público enviasse relatório e cópias dos laudos necroscópicos realizados pela perícia independente do órgão. Nesta quarta o órgão enviou autos que incluem relatórios, depoimentos e mapas, e mandou dados os registros de imagem dos exames de necropsia, mas não as próprias imagens.

A Promotoria afirmou em ofício a Moraes que o processo de análise técnica está em fase de catalogação das imagens. Também está em desenvolvimento a reconstrução 3D dos corpos.

“Os relatórios e os laudos finais serão prontamente disponibilizados a essa douta Relatoria, independentemente de nova provocação, tão logo concluídas as atividades levadas a efeito pelo corpo técnico desta Instituição”, disse o órgão em documento.





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