Trump convida Brasil para o ‘Conselho da Paz’, que vai ‘gerenciar’ Gaza


O governo brasileiro foi convidado pelo presidente Donald Trump para compor o Conselho da Paz, iniciativa que foi proposta diante da ofensiva dos EUA por estabelecer seu próprio modelo de gestão de Gaza, sem soberania para os palestinos.

O documento que apresenta o projeto, porém, sinalizaria que a nova entidade poderia ser uma espécie de alternativa às estruturas existentes hoje na ONU e que são duramente criticadas pelos EUA.

O Itamaraty confirmou ao ICL Notícias que o convite de fato foi apresentado, ainda que os detalhes estejam sendo mantidos em sigilo.

Outros governos também foram convidados, como o da Turquia, Canadá, Egito e Argentina, e mais de uma dúzia de líderes pelo mundo receberam o projeto desde ontem.

A iniciativa promete causar polêmica, já que se refere a um reconhecimento explícito do fracasso da ONU e a busca por estruturas que possam determinar as novas regras da ordem internacional.

Segundo o jornal Haaretz, de Israel, o documento de criação fala em um “organismo internacional de consolidação da paz mais ágil e eficaz” que apela para “abandonar instituições que falharam com demasiadas vezes!”. Notavelmente, o documento não menciona Gaza pelo nome.

A iniciativa foi recebida com hesitação entre diferentes diplomatas de países emergentes, que indicam que o Conselho poderia acabar legitimando anexações desejadas pelos EUA, ocupação e mesmo a violação de soberania.

Não está claro tampouco qual seria o papel de cada um desses países e como funcionaria a “presidência” de Trump do projeto.

Na carta, Trump apenas diz que se trata do “Conselho mais impressionante e influente já reunido”.

“Nosso esforço reunirá um grupo seleto de nações prontas para assumir a nobre responsabilidade de construir uma PAZ DURADOURA, uma honra reservada àqueles preparados para liderar pelo exemplo e investir brilhantemente em um futuro seguro e próspero para as próximas gerações”, disse.

“Convocaremos nossos maravilhosos e comprometidos parceiros, a maioria dos quais são Líderes Mundiais Altamente Respeitados, em breve”, explicou o americano, numa alusão a uma cúpula.

“Este Conselho será único, nunca houve nada igual! Cada Estado-Membro poderá designar um representante autorizado para participar das reuniões em seu nome. Em anexo, encontram-se o Plano Abrangente e a Carta do Conselho, que agora está aberta para sua assinatura e ratificação”, afirmou Trump.

Uma das suspeitas por parte de negociadores internacionais é de que a estrutura poderia ainda competir com a ONU como fórum de decisões e, caso implementada, minaria a força do Brics.

Já Javier Milei, nas redes sociais,  comemorou o convite. Ele escreveu no X que recebeu “o convite para a Argentina se juntar, como membro fundador, ao Conselho da Paz”. “A Argentina sempre estará ao lado dos países que enfrentam o terrorismo de frente, que defendem a vida e a propriedade e que promovem a paz e a liberdade. É uma honra para nós compartilhar tamanha responsabilidade”, disse.

Na sexta-feira, a Casa Branca afirmou que o “Conselho de Paz desempenhará um papel essencial no cumprimento de todos os 20 pontos do plano (para Gaza) do presidente, fornecendo supervisão estratégica, mobilizando recursos internacionais e garantindo a responsabilização à medida que Gaza transita do conflito para a paz e o desenvolvimento”.

“Para operacionalizar a visão do Conselho de Paz — sob a presidência de Donald J. Trump — foi formado um Conselho Executivo fundador, composto por líderes com experiência em diplomacia, desenvolvimento, infraestrutura e estratégia econômica”, explicou.

Os membros nomeados são:

Secretário Marco Rubio
Steve Witkoff
Jared Kushner
Sir Tony Blair
Marc Rowan
Ajay Banga
Robert Gabriel

Num comunicado, Blair agradeceu a Trump “pela sua liderança na criação do Conselho da Paz”, acrescentando que estava “ansioso para trabalhar com eles (Witkoff e Kushner) e outros colegas, em consonância com a visão do presidente de promover a paz e a prosperidade”.

Blair, que era o primeiro-ministro britânico durante a invasão e ocupação do Iraque liderada pelos Estados Unidos em 2003, com base em falsas alegações sobre armas de destruição em massa, é considerado por muitos no mundo árabe e no Reino Unido como um “criminoso de guerra”.





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