Milei defende faixa sobre as Malvinas após vitória da Argentina sobre a Inglaterra


O presidente da Argentina, Javier Milei, considerou nesta quinta-feira (16) “válido e legítimo” que os jogadores da seleção argentina exibissem a faixa “As Malvinas são argentinas” após vencerem a Inglaterra na véspera, enquanto veteranos da Guerra das Malvinas, de 1982, agradeceram à equipe pelo gesto.

Os jogadores argentinos estenderam a faixa sobre o gramado do Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, após derrotar os ingleses por 2 a 1. O gesto provocou um protesto do governo britânico, que pediu à Fifa que investigasse uma possível infração às regras que proíbem mensagens políticas em campo.

“É um sentimento que está dentro de todos os argentinos e é perfeitamente válido e lícito que eles queiram se expressar e o façam”, defendeu Milei em entrevista à rádio El Observador.

Pediu, no entanto, que o gesto não fosse interpretado como parte da disputa diplomática entre a Argentina e o Reino Unido pelo arquipélago do Atlântico Sul.

“Uma partida de futebol é uma partida de futebol”, disse Milei, e lembrou que o mesmo havia sido dito, antes do jogo, tanto pelo técnico Lionel Scaloni como por veteranos da guerra travada em 1982 pela soberania das ilhas, na qual 649 argentinos e 255 britânicos morreram.

“As Malvinas são argentinas, vamos recuperá-las e faremos isso no plano diplomático”, prosseguiu.

Na quarta-feira, após a vitória com importante valor simbólico para os argentinos, o presidente havia pedido que o futebol não fosse misturado com a disputa territorial e rejeitou “gestos de patriotismo baratos”.

Por sua vez, ex-combatentes da Guerra das Malvinas agradeceram tanto a vitória quanto o gesto da seleção: “Obrigado, jogadores, comissão técnica e colaboradores. As Malvinas são argentinas, assim como vocês”, escreveu o Centro de Ex-Combatentes das Ilhas Malvinas da cidade de La Plata.

“Fiquei arrepiado porque é um sentimento nacional”, declarou à rádio o ex-combatente Esteban Tries, referindo-se à bandeira. Ele acrescentou que se sentiu “muito representado” pela seleção.

O ex-combatente e treinador Omar De Felippe escreveu após a vitória: “Hoje só quero agradecer a esses rapazes pela enorme alegria e pelo imenso afago na alma que nos proporcionaram.”

“O esporte nunca muda a história, mas às vezes ajuda a curar emoções que continuam muito vivas”, acrescentou.

O presidente argentino Javier Milei | Crédito: Tomas Cuesta /Getty Images via AFP
O presidente argentino Javier Milei | Crédito: Tomas Cuesta /Getty Images via AFP

Um porta-voz do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, criticou nesta quinta-feira a atitude dos jogadores: “A Copa do Mundo pode não ser nossa, mas as ilhas definitivamente são.”

A seleção argentina disputará a final da Copa do Mundo no domingo, contra a Espanha.





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