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Moradores de Paquetá lutam para manter agência de Correios da ilha operante


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Por Ayam Fonseca

A luta por serviços básicos parece ser uma realidade constante para os moradores de Paquetá, bairro ilha do Rio de Janeiro. A ilha, que em 2023 precisou protestar para impedir o fechamento de sua única agência bancária, e que antes disso, em 2020, teve que se levantar contra a redução do hórario de funcionamento das barcas — único meio de chegar e sair da ilha — diminuindo em cerca de 50% as viagens, agora enfrenta a possibilidade de perder sua única agência de Correios.

O presidente a associação de moradores de Paquetá, Guto Pires, explicou que há quase um mês e meio a agência dos Correios da ilha não funciona. Segundo ele, a interrupção do envio das correspondências começou quando a gerente da agência se afastou do trabalho por questões de saúde. Durante as semanas em que a gerente esteve internada, os Correios não providenciaram um substituto para o cargo, deixando os ilhéus a própria sorte. Com a chegada da notícia do falecimento da titular, os moradores da ilha se viram numa situação ainda mais apreensiva, sem ter qualquer agente que fosse responsável pela base dos Correios de Paquetá, e sem qualquer perspectiva para a resolução do problema.

“Se eu quiser mandar um objeto para um familiar meu, eu tenho que aguardar o próximo horário de barca, fazer a travessia — que é sempre de cerca de uma hora –, e ir até uma agência dos Correios no centro do Rio. Depois eu vou ter que voltar para a estação da Praça XV, e para voltar para casa em Paquetá, eu vou ter que aguardar mais um tempo, porque o intervalo entre uma barca e outra é grande, pois são poucos horários, para então depois pegar a barca da volta, e fazer mais uma travessia de uma hora e pouco. No fim eu vou ficar três, quatro horas para mandar um objeto”, compartilha Pires, que explica o processo que os ilhéus precisam fazer toda vez que vão enviar alguma correspondência.

paquetá

Agência de Correios da ilha de Paquetá (Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal)

O presidente explica que carteiros do Rio tem ido até a ilha para entregar cartas e outros serviços postais aos moradores, contudo, sem a agência operando não é possível fazer envios de Paquetá.

Um dos moradores da ilha, e membro da associação de moradores, Felipe Migliani, disse que a associação já enviou um ofício ao Ouvidor dos Correios e aguarda uma resposta. Ele diz que foi solicitada a nomeação de um novo gerente e a reabertura imediata da agência. A associação também enviou um ofício ao coordenador da REATE I — uma espécie de regional dos Correios –, Edmar Costa, que informou não ser favorável, absolutamente, ao fechamento da agência.

Na noite desta segunda-feira (21) a associação fará uma assembléia onde discutirão que tipo de mobilização será adotada na reivindicação deste direito.

População de Paquetá

Localizado no interior nordeste da Baía de Guanabara, a ilha de Paquetá tem uma população de 3.612, segundo o Censo de 2022. Para Pires, esse simples fato já indica uma possibilidade do porquê os moradores da ilha precisam lutar tanto por seus direitos mais básicos.

“Nós sempre estamos numa situação de descaso dos poderes públicos, seja municipal ou estadual, […] e  nós enquanto um bairro com uma população pequenina, surge a lógica da velha política de onde ‘tem pouco voto, eu não preciso de respeitar os direitos’”, desabafa.

Essa realidade de direitos desrespeitados se agrava quando levada em conta que cerca de 31,6% dos moradores têm 60 anos ou mais, e 23,1% têm 65 anos ou mais, de acordo com dados do Censo. Essa porcentagem é consideravelmente maior do que a média nacional, que era de 15,7% em 2019.

Mauro dos Anjos, especialista em gestão pública pela UniSignorelli, considerando a idade média da população de Paquetá, o impacto da ausência da agência dos Correios na vida desses cidadãos vai ser sensível.

“O envio de recebimento de correspondências, por exemplo, permite que os idosos enviem cartas, documentos importantes e recebam encomendas facilitando a comunicação e o acesso a produtos essenciais. Também existem serviços bancários postais, onde muitos Correios oferecem opções de pagamento, recebimento de contas, transferências, e isso ajuda os idosos que têm dificuldades com plataformas bancárias”, disse Anjos.

Ele lembra que a agência dos Correios é treinada para oferecer serviços de coleta remessas, coletas postais e cadastro e emissão de documentos de maneira inteligente e presencial, oferecendo comunicação com a Receita Federal para a expedição de segunda via de CPF.

“Então as políticas aplicadas ao idoso na ilha precisam ser reforçadas, considerando que a gente está falando de uma micro região dentro do estado do Rio de Janeiro, dentro da cidade do Rio de Janeiro, em que a população idosa é menos assistida e ela é mais numerosa”, diz o especialista.

“Tirar a agência dos Correios significa reduzir a acessibilidade a serviços financeiros e a serviços postais, aumento o deslocamento. O idoso que não tiver um apoio da família, por exemplo, — que é muito frequente –, com a ausência dessa agência local, eles vão precisar se deslocar a regiões próximas para realizar os serviços básicos postais, o que pode ser oneroso e difícil devido às limitações de mobilidade e transporte”, concluiu.

Anjos analisa que, para mitigar os impactos da falta de uma agência de Correios na ilha, seria importante buscar alternativas como implementação de serviços móveis, parcerias com comerciantes locais para facilitar o acesso da população, ou mesmo a adoção de soluções digitais direcionadas ao público idoso.

“Mesmo que os correios entendam que aquela agência não é mais útil, é importante que as autoridades se mobilizem para que o impacto local não cause prejuízos a mais para esses cidadãos”, pontuou Anjos.





Fonte: ICL Notícias

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