Trump deixa oficialmente OMS e se recusa a quitar dívida milionária


O governo dos EUA deixará oficialmente a Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira, um ano depois de o presidente Donald Trump fazer o anúncio de que estava rompendo com a entidade. O gesto aprofunda a crise nas agências internacionais e confirma a intenção da Casa Branca de se afastar da estrutura do multilateralismo que ordenou a diplomacia nos últimos 80 anos.

Ao tomar a decisão de sair da OMS, Trump escreveu em sua ordem executiva que havia um descontentamento por conta do “o mau gerenciamento da pandemia de COVID-19 pela organização, que surgiu em Wuhan, na China, e em outras crises globais de saúde, sua falha em adotar reformas urgentemente necessárias e sua incapacidade de demonstrar independência da influência política inadequada dos estados membros da OMS”.

Pela lei americana, o país precisa notificar a OMS com um ano de antecedência e pagar todas as taxas pendentes antes de sair.

A esperança na OMS e entre parceiros de Washington era de que Trump poderia rever sua posição ao longo do ano.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, há poucos dias voltou a fazer um apelo para que a decisão fosse revista. “Espero que os EUA reconsiderem e voltem a integrar a OMS”, disse. “A saída da OMS é uma perda para os Estados Unidos e para o resto do mundo”, completou.

Por enquanto, porém, Trump deixa a OMS sem ter pago as contribuições obrigatórias de 2024 e 2025, avaliadas e mais de US$ 250 milhões.

Os EUA não pagaram e não planejam pagar. “Os Estados Unidos não farão nenhum pagamento à OMS antes de nossa retirada”, disse o Departamento de Estado. “O custo suportado pelo contribuinte americano e pela economia americana após o fracasso da OMS durante a pandemia de Covid — e desde então — já foi muito alto”, completou.

O impacto da saída dos EUA é profundo. A OMS foi obrigada a demitir metade de sua equipe de alta gestão e cortes foram registrados em todos os programas. Para 2026, 25% dos funcionários serão demitidos.

Mas o que mais preocupa cientistas é a ausência dos EUA nas redes de pesquisa e monitoramento sobre doenças pelo mundo. Um dos elementos centrais do trabalho da OMS tem sido o de compartilhamento de dados e amostras de novas patologias, como forma de alerta sobre riscos que diferentes países poderiam correr.

O que não está claro, agora, é como será realizada a troca de informações entre os principais centros de pesquisa dos EUA e o restante da comunidade mundial de saúde.





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