Por Carlos Villela
(Folhapress) – A Justiça de Santa Catarina fez nesta quarta-feira (19) a audiência de instrução para o julgamento de Amanda Maria Souza de Oliveira, 38, mulher acusada de se passar por uma criança de 12 anos e viver por mais de um ano com uma família em Joinville.
De acordo com a advogada Sarita Henrique de Paiva, que integra a defesa de Amanda, o juiz responsável pelo caso informou que vai proferir a sentença em até cinco dias.
Amanda foi presa em flagrante em 2 de junho, dias antes de completar 38 anos, após a família que a acolhia desconfiar de sua verdadeira idade.
Além de Amanda, foram ouvidos na sessão, realizada no Fórum de Joinville, o casal que acolheu a ré, uma parente do casal que falou como testemunha de acusação e um policial civil responsável pela investigação.
Também falaram os dois peritos técnicos, um psiquiatra e uma psicóloga, indicados pela defesa.
O Ministério Público de Santa Catarina, que denunciou Amanda por estelionato e falsa identidade, pediu a condenação e se manifestou contra o pedido de revogação preventiva solicitado pela defesa.
Segundo a advogada de Amanda, que pede sua absolvição, os laudos apontam que ela apresenta quadros psiquiátricos e necessita de tratamento.
O conteúdo dos laudos está sob segredo de Justiça, assim como a identidade das testemunhas e o teor da audiência.
O Tribunal de Justiça de Santa Catarina foi procurado por e-mail pela manhã, mas não respondeu até a publicação do texto.
Usando o nome falso de Gabriele, ela teria se apresentado como vítima de abuso, dito ter fugido do Pará e afirmado que era obrigada a consumir hormônios para justificar a aparência adulta.
A família adotou Amanda informalmente e chegou a organizar festa para os supostos 12 anos da jovem, que brincava de boneca, fazia desenhos infantis e usava chupeta e mamadeira.
Segundo a Polícia Civil, uma tia adotiva de Amanda passou a desconfiar da história e procurou as autoridades após encontrar notícias que ligavam Amanda a um caso de golpe de falsa identidade no Rio de Janeiro.
Amanda foi detida na casa onde morava e, na delegacia, confessou o esquema, apresentou seus dados pessoais e disse ser natural do Ceará e não do Pará, como alegava.
Segundo a investigação, ela tem antecedentes criminais e já praticou crimes semelhantes nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.





