O Brasil foi um dos países que garantiu ao governo de Donald Trump um dos maiores saldos positivos em sua balança comercial em 2025. Dados oficiais das autoridades dos EUA revelaram que, no ano passado, os americanos somaram um superávit com o Brasil de US$ 14,4 bilhões. Apenas três outras economias deram aos EUA um resultado mais expressivo.
O Brasil ainda vai na contramão do mundo. Apesar doa anúncio de tarifas inéditas contra dezenas de países, em abril do ano passado, o déficit comercial dos EUA aumentou 32,6% em dezembro, atingindo US$ 70,3 bilhões, segundo informações do Departamento de Comércio. Em todo o ano de 2025, o déficit comercial caiu apenas 0,2%, para US$ 901,5 bilhões.
Os dados apontam que o tarifaço de Trump contra o Brasil de fato surtiu um profundo efeito na balança entre os dois países. Em 2024, o saldo favorável aos americanos era de menos de US$ 2 bilhões.
Ainda que várias das tarifas tenham já sido retiradas, o governo brasileiro estima que elas estão sendo aplicadas em 22% do fluxo de bens nacionais para os EUA. Além disso, durante os meses que estiveram em vigor, a tarifas contra o Brasil foram algumas das mais elevadas do mundo.
Os dados estão sendo publicados enquanto as diplomacias de Brasília e Washington tentam desenhar os parâmetros do que será a reunião, em março, entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. O Itamaraty insiste que apenas haverá um acordo mais amplo se a Casa Branca aceitar em retirar as tarifas que ainda existam contra os produtos nacionais.
Segundo o levantamento oficial das autoridades em Washington, os números de dezembro mostram superávits dos EUA com:
Holanda (US$ 5,6 bilhões)
Reino Unido (US$ 3,7 bilhões)
Hong Kong (US$ 2,5 bilhões)
Brasil (US$ 2,1 bilhões)
Bélgica (US$ 1,4 bilhão)
Singapura (US$ 1,1 bilhão)
Foram registrados déficits dos EUA com:
Taiwan (US$ 19,8 bilhões)
Vietnã (US$ 17,6 bilhões)
México (US$ 14,5 bilhões)
China (US$ 12,4 bilhões)
União Europeia (US$ 11,1 bilhões)
Coreia do Sul (US$ 5,8 bilhões)
Japão (US$ 5,3 bilhões)
Índia (US$ 5,2 bilhões)
Canadá (US$ 4,9 bilhões)
No que se refere ao período entre janeiro e dezembro de 2025, o Brasil uma vez mais aparece com destaque para as contas dos EUA.
No total, no ano, o déficit de bens e serviços dos americanos foi de US$ 901,5 bilhões, uma redução de apenas US$ 2,1 bilhões em relação aos US$ 903,5 bilhões de 2024.
As exportações totalizaram US$ 3,4 trilhões, um aumento de US$ 199,8 bilhões em relação a 2024. As importações somaram US$ 4,3 trilhões, um aumento de US$ 197,8 bilhões em relação a 2024.
Os maiores superávits dos EUA foram com:
Holanda (US$ 60,7 bilhões)
Reino Unido (US$ 32,2 bilhões)
Hong Kong (US$ 28,5 bilhões)
Brasil (US$ 14,4 bilhões)
Já os déficits foram registrados com a União Europeia (218,8 bilhões), China (202,1 bilhões), e México (196,9 bilhões).
Um dos elementos comemorados pelo governo Trump foi o fato de que, diante da guerra comercial, o déficit com a China diminuiu US$ 93,4 bilhões, chegando a US$ 202,1 bilhões em 2025.
As exportações para o mercado chinês diminuíram US$ 36,9 bilhões, mas importações caíram ainda mais, em US$ 130,4 bilhões.




