ouça este conteúdo
00:00 / 00:00
1x
Dezenas de milhares de pessoas ocuparam as ruas de diversas cidades do Brasil na noite desta quinta-feira (10) em atos pelo fim da escala 6×1 e taxação dos super-ricos. Os atos ganharam força com a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar os produtos brasileiros em 50%, o que fez com que o tema da soberania nacional entrasse na pauta.
Em São Paulo, 15 mil manifestantes se reuniram na avenida Paulista. Em Porto Alegre (RS) a concentração aconteceu na manhã desta quinta na Esquina Democrática. No Rio de Janeiro (RJ), centenas de pessoas se reuniram no fim da tarde na Praça XV, no centro da cidade. Em Minas, a concentração foi na região da Praça Sete, no centro de Belo Horizonte.
BILIONÁRIO É O PARASITA DO SÉCULO 21.
Hoje a Paulista foi palco da revolta contra os super-ricos que sugam o povo e não pagam imposto.#TAXAÇÃODOSSUPERRICOS pic.twitter.com/zQsZRIzWvy
— MTST (@mtst) July 11, 2025
O ato na avenida Paulista, em São Paulo, levou mais gente do que a manifestação “Justiça Já”, convocada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no dia 29 de junho, na mesma Paulista. De acordo com aferição do Monitor do Debate Político do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), da Universidade de São Paulo (USP), o ato da esquerda reuniu R$ 15,1 mil pessoas no horário de pico da manifestação, às 19h30.
Manifestantes defenderam a soberania nacional no Rio de Janeiro. (Foto: Fernando Velloso/ Brasil de Fato)
Os atos defenderam a soberania nacional e também tratou das pautas do Plebiscito Popular 2025, como a taxação dos super-ricos, justiça social e redução da jornada de trabalho. Entre as palavras de ordem, “Congresso inimigo do povo” foi uma das mais repetidas ao longo da manifestação. Segundo pesquisa da AtlasIntel, 58% dos entrevistados apoiam a chamada “taxação BBB” — bilionários, bancos e bets, as casas de apostas online.
AGORA: Manifestantes que pedem a redução da jornada de trabalho, fim da escala 6X1 e taxação dos super ricos, protestam na Avenida Paulista, em São Paulo. pic.twitter.com/N2rxmeofF9
— Renato Souza (@reporterenato) July 10, 2025
“Estamos nas ruas pra dizer que bilionário, banqueiro e bets têm que pagar sim, têm que ser taxados sim”, afirmou Ediane Maria, deputada estadual por São Paulo e militante do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), presente na Avenida Paulista. “Quando a classe trabalhadora, quando uma mulher preta, quando uma mãe solo, quando um professor, quando uma diarista, quando um empregado doméstica, quando um sem-teto tiver direito nesse país, aí sim nós estaremos trabalhando pela reparação histórica.”
🇧🇷 Imagem aérea impressionante da Av. Paulista, hoje. Reunimos 15 mil pessoas em plena quinta e no frio.
O ato superou o último da esquerda, há alguns meses, que reuniu 6,6 mil pessoas num domingo.
Estamos crescendo nas redes e também nas ruas, enquanto o bolsonarismo declina! pic.twitter.com/xeuyYmEpHg
— Análise Política 2 (@analise2025) July 11, 2025
Tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos
Mesmo tendo sido convocados antes do anúncio feito por Donald Trump de uma tarifa de 50% sobre importações brasileiras, os atos repercutiram a indignação com a interferência no país. Trump justificou a medida alegando “injustiça” comercial e atacou o sistema Judiciário brasileiro, chamando o processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro de “caça às bruxas” e denunciando supostas ordens de censura de plataformas digitais no Brasil.
Ato na avenida Paulista, agora.
Taxar super-ricos
Isentar IR até R$ 5 mil
Acabar com escala 6×1
Reduzir jornada sem reduzir salário
Soberania pic.twitter.com/e22nxuCuoU— Sergio Nobre CUT (@CutNobre) July 10, 2025
Apesar das críticas, dados oficiais indicam que os Estados Unidos mantêm um saldo positivo de mais de 400 bilhões de dólares no comércio com o Brasil nos últimos 15 anos. Em resposta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a independência das instituições brasileiras e mencionou a Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada em abril, que autoriza o governo a adotar medidas equivalentes.
Ato na avenida Paulista reuniu milhares de pessoas nesta quinta-feira (10). (Foto: Elineudo Meira / @fotografia.75)
Na multidão da avenida Paulista, a comerciante Jane Patrícia defendeu a bandeira da soberania nacional. “Enquanto a gente está aqui trabalhando, se esforçando para ter um país melhor, o filho do Bolsonaro, junto com o Bolsonaro, está em outro local lá contra o nosso país“, lamentou ao “Brasil de Fato”, lembrando da participação de Eduardo Bolsonaro, deputado federal licenciado que está nos Estados Unidos, onde elogiou o aumento da taxação de produtos brasileiros. Ela afirmou que foi para a rua pelo “orgulho de ser brasileira, o orgulho de ter um presidente que não é submisso”.
🚨 Agora l Manifestantes que pedem a redução da jornada de trabalho, fim da escala 6X1 e taxação dos super ricos, protestam na Avenida Paulista, em São Paulo. pic.twitter.com/sZVf8YFvsR
— Notícias Paralelas (@NP__Oficial) July 11, 2025
Recebida com muita celebração pelos manifestantes da Paulista, a deputada Érika Hilton (Psol-SP) ressaltou que a taxação anunciada pelo presidente estadunidense é “uma medida política, e que nada tem a ver com economia”. Para a deputada federal Sâmia Bonfim (Psol-SP), o ato é histórico. “É o movimento social e a esquerda voltando para a ofensiva e também é histórico pelo momento político que a gente está vivendo. Um ato massivo, à altura da gravidade do que aconteceu nos últimos dias, com uma ameaça e de fato uma sanção imposta pelo Donald Trump”.
HISTÓRICO: Vídeo da Avenida Paulista LOTADA! Mobilização que começou nas redes e ganhou as ruas.
O povo exige um Congresso que trabalhe para o povo, não para os ricos.
O Brasil clama por mudança!
A LUTA É PELO POVO
RESPEITEM O BRASIL
TAXEM OS RICOS
BORA PRA RUA pic.twitter.com/9YQXukU5QH— Lázaro Rosa 🇧🇷 (@lazarorosa25) July 10, 2025
Mobilização
Os protestos pautaram a justiça tributária a partir da taxação dos super-ricos e políticas que reduzam as desigualdades, como o fim da escala 6×1. Para Tezeu Bezerra, diretor da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e do Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense (Sindipetro-NF), no Rio de Janeiro, as reivindicações da classe trabalhadora serão atendidas por meio da mobilização popular.
A mobilização também tratou das pautas do Plebiscito Popular 2025, como a taxação dos super-ricos, justiça social, redução da jornada de trabalho, fim da escala 6 x 1. (Foto: Rafa Dotti/ Brasil de Fato)
“O plebiscito é uma forma do trabalhador se manifestar para que a gente consiga, de fato, a justiça social no nosso país. Hoje, tem trabalhador paga muito mais imposto do que o rico. Isso está errado, é sim uma luta de nós contra eles. Não tem como a gente fugir desse debate”, afirmou à reportagem.
Será que a avenida Paulista, em São Paulo, está lotada?
O povo está nas ruas neste momento para pedir: Fim da jornada 6×1, Fim do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.
TAXEM OS RICOS, ESTAMOS COM LULA, RESPEITEM O BRASIL pic.twitter.com/IwhnF0TUIe
— PT São Paulo (@ptsaopaulosp) July 10, 2025
O ato na Esquina Democrática, em Porto Alegre, também teve urna para a coleta de votos do Plebiscito Popular 2025 no Rio Grande do Sul. A iniciativa busca promover a discussão sobre temas como a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, o fim da escala 6×1, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e a taxação dos super-ricos.
🚨 URGENTE: Av. Paulista agora pela taxação dos super-ricos, isenção do IR até 5 mil e fim da escala 6×1!
– Com a pressão popular, o Congresso já está cogitando ampliar a redução do IR para quem ganha até 7350 reais!
Nas redes e nas ruas, não podemos parar! pic.twitter.com/bVZOBI2xjd
— Análise Política 2 (@analise2025) July 10, 2025
“O fim da escala 6×1 está protocolado há meses. A taxação das grandes fortunas está parada há 10 anos. Quem ganha até R$ 5 mil não pode pagar tributos, mas tem que aumentar enormemente a taxação dos milionários”, afirmou a deputada federal Fernanda Melchionna (Psol).
Entre os presentes nos atos, o clima era de construção de diálogo com a população para ampliar o envolvimento popular.
A paulista lotada numa quinta-feira. E havia boatos que não ia dar quase ninguém.
RESPEITEM O BRASIL
DOA A QUEM DOER
AGORA É A VEZ DO POVOpic.twitter.com/wkXilS9n2J— Jonas Di Andrade (@jonasdiandrade) July 11, 2025
*Com Brasil de Fato
Fonte: ICL Notícias




